É novo » 25.9.2013

Pré-publicação: “Ciberteologia – Pensar o Cristianismo na era da Internet”
«Esta é a maior contribuição da Igreja à Rede, ao menos do seu ponto de vista: ajudar o homem a entender melhor o significado profundo da comunicação e dos media, sobretudo porque eles «influem na consciência dos indivíduos, formam a sua mentalidade e determinam a sua visão das coisas» (Ibid.). No desenvolvimento da comunicação, a Igreja vê a ação de Deus que conduz a humanidade para uma realização plena. A Internet, com a sua capacidade de ser, ao menos potencialmente, um espaço de comunhão, faz parte do caminho do homem para esta consumação em Cristo. É preciso, então, ter uma visão espiritual da Rede, vendo Cristo que chama a humanidade a estar cada vez mais unida e ligada.» A Paulinas Editora lança esta quinta-feira nas livrarias o livro “Ciberteologia – Pensar o Cristianismo na era da Internet”, do padre italiano Antonio Spadaro, autor da primeira grande entrevista ao papa Francisco. Iniciamos hoje a apresentação de alguns excertos da obra com extratos do texto introdutório.

«Um deus que fertiliza a polpa azul da sombra»: metáforas para a inclusão de Deus em António Ramos Rosa
«Há um deus que fertiliza a polpa azul da sombra / e extenso no silêncio está como o olvido no olvido. / Recolhe-se num movimento para o centro / onde permanece côncavo e completo. / Na sua enamorada eternidade / o corpo é asa, pedra e nuvem. / O mundo por vezes é um instante de amêndoa / em que ele transparece em carícias de regaço. / Movimento de plácida e redonda consciência, / não a imagem mas a visão nua do âmbito pleno, / em que estamos com ele em sequência natural. / A sua vida é o sono da luz e da sombra em aberta órbita / sempre no seu próprio círculo em sucessivas ondas / de sossegada incandescência. / Ele está no mundo, o mundo está nele / sempre como no princípio num fulgor cumprido / na radiosa concavidade azul.» Várias palavras deste poema, sem definirem Deus, falam-nos metaforicamente de propriedades e valores que a revelação e a teologia nos habituaram a atribuir-lhe. Com esta vantagem: são palavras dinâmicas, de sentido aberto para novas buscas e significados.

Uma fenda no mundo. Do espiritual na arte contemporânea (II) | IMAGENS |
A enorme escuridão que a obra de arte nos abre, coloca o homem no exílio, em lugar inóspito, inabitável, inseguro. A obscuridade da arte é a daqueles que não têm onde inclinar a cabeça e descansar. Um fundamento abissal e originante, antes de tudo, para o qual as palavras faltam. “Luminosidade que desfaz o mundo”, luz negra que o remete à sua origem murmurante. Assim a obra desenraíza o homem do seu mundo, abana a sua morada, retira-o ao hábito e às certezas, e retorna-lhe a sua condição de nómada, peregrino. Também o reino da obra de arte não é deste mundo. Vem trazer a espada e não a paz. Destrói o mundo e recria-o. Rasga uma fenda e abre uma porta para a noite. “A arte, longe de iluminar o mundo, deixa experimentar a obscuridade da qual emerge todo o mundo.” A arte pode refletir o mistério. Apresenta-nos a alteridade enquanto tal. Uma alteridade essencial. Um Outro absoluto. A sedução do infigurável por oposição ao corpo tangível do Deus cristão. Outros, ainda, pensam as disciplinas artísticas como “um pensamento irreligioso do sagrado”. Um regresso às origens mais puras da relação com os mitos e a nostalgia das origens, a comunhão com a matéria, a simplicidade das formas originais, o cosmos e as suas forças sagradas, o fascínio pelo informe e o caos.

Igrejas, capelas e ermidas acolhem Jornadas Europeias do Património
Dezenas de igrejas, capelas e ermidas acolhem esta sexta-feira, sábado e domingo as Jornadas Europeias do Património, iniciativa comum do Conselho da Europa e da Comissão Europeia a que aderem 50 estados. A Santa Sé volta este ano a participar na iniciativa com o programa “As imagens da fé do património europeu”, elaborado pelo Pontifício Conselho da Cultura e pelos Museus do Vaticano, que no domingo podem ser visitados gratuitamente. Conheça as atividades previstas para Portugal, segundo os dados fornecidos pelo Igespar.

«Deus espera sempre», lembra papa Francisco
O papa sublinhou esta terça-feira que Deus aguarda sempre pelo ser humano, e salientou que os sacramentos são um meio privilegiado para o encontro com Cristo. Francisco salientou igualmente a identidade dos sete sacramentos: «O Senhor Jesus acompanha-nos também na nossa vida pessoal: com os sacramentos. O sacramento não é um rito mágico: é um encontro com Jesus Cristo». «E se Ele entrou na nossa história, entremos também nós um pouco na história dEle», convidou.

Migrantes: papa Francisco pede criação de emprego e diz que é preciso passar do «medo» à «hospitalidade» | IMAGENS |
A mensagem do papa Francisco para o próximo Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, que a Igreja assinala a 19 de janeiro, apela a «um espírito de profunda solidariedade e compaixão» por quem deixa a sua terra em busca de uma vida melhor. «É necessário passar de uma atitude de defesa e de medo, de desinteresse ou de marginalização – que, no final, corresponde precisamente à “cultura do descartável” – para uma atitude que tem por base a “cultura do encontro”, a única capaz de construir um mundo mais justo e fraterno, um mundo melhor», frisa Francisco. No documento, intitulado “Migrantes e refugiados: rumo a um mundo melhor”, o papa vinca que «criar oportunidades de emprego nas economias locais impediria (…) a separação das famílias e garantiria condições de estabilidade e de serenidade para os indivíduos e comunidades».

Em cada dia, deixa-te tocar por alguém ou alguma coisa
Falamos pouco do Evangelho da Alegria e, entre tudo aquilo que assumimos como dever, como tarefa, raramente ele está. O dever da alegria, estarmos quotidianamente hipotecados à alegria, enviados em nome da alegria, não nos é tantas vezes recordado quanto devia. As nossas liturgias, pregações, catequeses e pastorais abordam a alegria quase com pudor. Definimo-nos culturalmente como homo faber, homem artesão, fabricante, aquele que se realiza na própria ação. E distanciamos da nossa própria vida o horizonte do homo festivus, isto é, o que é capaz de celebrar, aquele que conduz a criação à sua plenitude.

— Agenda para hoje —

Átrio dos Gentios promove encontro com jornalistas
O próximo encontro do Átrio dos Gentios, plataforma da Igreja católica para o diálogo entre crentes, agnósticos e ateus, vai decorrer a 25 de setembro, em Roma, e será dedicado aos jornalistas. “Ética da sociedade e ética da comunicação”, “Liberdade e responsabilidade na informação. Objetividade e verdade” e “Jornalismo, cultura e fé. Crer e comunicar” vão ser os temas em análise. O programa prevê o diálogo, seguido de debate, entre o presidente do Pontifício Conselho da Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi, e o fundador do jornal italiano “La Reppublica”, Eugenio Scalfari, que recentemente trocou publicamente correspondência com o papa Francisco. A paragem seguinte do Átrio dos Gentios será em Berlim, no fim de novembro.

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