É novo » 10.9.2013

Leitura: Francisco, pastor para uma nova época
Quais são os dez dossiês urgentes que esperam o papa Francisco? Constam, simultaneamente, da herança do seu predecessor e de uma atualidade que muitas vezes se descontrola. Apesar daquilo que por vezes se possa ter dado a entender, Bento XVI não terá sido um Papa de transição. Durante um pontificado várias vezes apupado por polémicas (Ratisbona, D. Williamson) ou por processos (Vatileaks), não hesitou em estabelecer a verdade em questões dolorosas para a Igreja, como a dos Legionários de Cristo ou a dos sacerdotes pedófilos. Cabe agora ao novo Papa ir mais longe e imprimir um impulso evangélico inédito nos anos que estão para vir.

As-sentir Con-sentindo | VÍDEOS |
Bastará abrir a janela para saber quem somos e o que somos no espaço e no tempo abertos pela interculturalidade? Bastará ter olhos para ver e para crer suficientemente? O cineasta galês Peter Greenaway, parafraseando o pintor Rembrandt, sintetiza o impasse contemporâneo: “‘se tendes olhos, não quer dizer que possais ver’. De pequenos ensinam-nos o alfabeto, em adolescentes ampliamos o nosso vocabulário e os nossos conceitos, em adultos continuamos este processo: mas visualmente, somos e permanecemos analfabetos. A nossa capacidade de construir imagens não é mais cultivada, e empobrece-se cada vez mais”. Greenaway (bem como o cineasta polaco Lech Majewski e o russo Alexandr Sokurov) é um dos grandes representantes da nova tendência do cinema que procura nas artes pictóricas o suporte metafísico de aproximação ao real. Apreender o real, além do nocional, o profundo pormenor das coisas, no seu progressivo des-velar-se, que os diversos sentidos nos dão a conhecer con-sentindo, não é de todo imediato. É uma maturação a longo prazo.

A Igreja, o Estado e a liberdade religiosa
O Estado não pode decidir sobre a verdade nem pode exigir qualquer tipo de culto. A liberdade de religião é uma necessidade que deriva, é certo, da coexistência humana, mas mais ainda, é uma consequência intrínseca da verdade que, como dissemos, não pode ser imposta do exterior, mas que o homem deve fazer sua apenas por um processo de convicção. A Igreja considera que as religiões não têm de esperar do Estado democrático (como os primeiros cristãos não o esperavam de César) nem privilégios nem substituições no que é a sua missão. Ela reconhece e respeita as autoridades legítimas, ela reza mesmo por elas, mesmo se o seu julgamento histórico sobre a sua forma de exercício do poder possa ser em muitos casos negativo. Mas ela reclama a liberdade e a segurança. Ela reivindica o seu direito a ter a sua própria voz, a contribuir para o bem comum e a opor-se quando crê ser necessário, porque o Estado nunca pode ser o objeto da veneração, nem é a fonte da justiça e do direito.

Por vezes luto com Deus, por vezes danço (I) | VÍDEO |
O silêncio e a ausência são sinais que, misteriosamente, insinuam uma presença. A aceitação do silêncio é um trabalho preparatório para a escuta. A disciplina de fazer silêncio no coração, calar os pensamentos e as imagens, as maledicências e superficialidades. O silêncio ainda não é Deus, mas é também a possibilidade de abrir a vida ao Outro, deixando que a possibilidade do Outro nos habite. A fé vive como hipótese, como lugar contínuo de expectativa, vive de um combate: nunca nada está acabado, nunca nada é completamente conhecido. Primeira parte da conferência “Por vezes luto com Deus, por vezes danço”, pelo P. José Tolentino Mendonça.

Arvo Pärt: Lamento de Adão | ÁUDIO |
Arvo Pärt (n. 1935) é um nicho, um gosto adquirido – a espiritualidade nórdica (neste caso, estónia) reduzida à essência. As origens são gregorianas e ortodoxas, o estilo é místico e minimalista, e o diálogo musical está repartido por coros e orquestra (em geral, de cordas). Grandes explosões sonoras alternam com silêncios, como nas badaladas dos sinos (tintinnabull). Música lenta, encantatória e mágica, ouvida através de uma neblina de incenso. No princípio está o texto – a palavra sagrada como referência ou modelo. Pärt foi buscar um texto de lamentações poéticas de Santo Silouan (1866-1938), o monge russo athonita (Monte Athos): Adão, expulso do Paraíso, exprime aqui as aflições da humanidade inteira em tempo de crise.

— Agenda para hoje —

Marcelo Rebelo de Sousa apresenta livro “Porque devemos chamar-nos cristãos”
Marcelo Rebelo de Sousa apresenta na próxima terça-feira, 10 de setembro, o livro “Porque devemos chamar-nos cristãos – As Raízes Religiosas das Sociedades Livres”, de Marcello Pera, político e antigo presidente do Senado italiano. Na obra, prefaciada pelo papa emérito, Bento XVI, o autor sustenta que «os liberais», se pretendem «vencer as debilidades do liberalismo atual e enfrentar com vigor renovado os desafios postos, hoje, às sociedades livres», têm de se «reconhecer culturalmente cristãos – o que não implica ser cristão crente nem renunciar à laicidade do Estado». «A “apostasia do Cristianismo”» é «a doença das sociedades livres», que se manifesta por sintomas como «a incapacidade de unir a Europa, devido à recusa em reconhecer a alma que a anima; o esgotamento do Estado social; a debilidade cultural do Ocidente face a culturas alheias à sua tradição, sobretudo a islâmica; o relativismo e o multiculturalismo; a falência ética do Ocidente».

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