É novo » 31.8.2013

Evangelho do 22.º Domingo: história, teologia e espiritualidade
À primeira vista, os conselhos dados por Jesus durante a refeição sobre a escolha dos lugares e a escolha dos convidados poderiam limitar-se a regras de etiqueta e filantropia. Em Israel, como noutros lados, os sábios escreveram belíssimas máximas sobre estes assuntos; por exemplo, no livro dos Provérbios: «Não te louves na presença do rei, nem te ponhas no lugar dos grandes. É melhor que te digam: “Sobe para aqui” do que seres humilhado diante de um príncipe» (25,6-7); e no de Ben-Sirá: «Quando um poderoso te chamar, retira-te, e ele, com maior insistência, te chamará. Não sejas importuno, para não seres afastado, mas não te afastes muito para não seres esquecido» (13,9-10). Mas o propósito de Jesus vai muito mais longe: à maneira dos profetas, ele procura veementemente abrir os olhos dos fariseus antes que seja demasiado tarde; o excessivo contentamento de si pode conduzir à cegueira.

Leituras do 22.º Domingo: pistas de reflexão
Ben-Sirá previne-nos: «Quanto mais importante fores, mais deves humilhar-te». E acrescenta: «A desgraça do soberbo não tem cura». Nada se opõe tanto a Deus como o orgulho prático ou intelectual. Aqueles que sabem e pensam que os outros não são tão sábios como eles, distanciam-se tanto da verdade como da caridade: «Não tomes o primeiro lugar» (Lucas 14, 8). Se é necessário reconhecer os dons de Deus em nós, é também preciso que os reconheçamos no nosso próximo. A palavra de Jesus «quem se humilha será exaltado» ficará gravada na memória dos apóstolos, que compreenderam que ela era a realidade fundamental da vida de Cristo, ele que se humilhou até morrer como um escravo, sobre uma cruz. O que foi vivido por Cristo torna-se um princípio essencial da vida de todo o crente. A parábola do convite para o banquete nupcial não é uma banal proposta de refeição; é uma pregação do Reino de Deus e da revelação do caminho obrigatório para nele entrar. O caminho que o próprio Cristo seguiu. «Se não voltardes a ser como as criancinhas, não podereis entrar no Reino do Céu».

Séamus Heaney, Nobel da Literatura: a arte é como o sinal que Cristo desenhou na areia
Séamus Heaney, poeta irlandês distinguido com o Prémio Nobel da Literatura, morreu esta sexta-feira num hospital de Dublin, aos 74 anos. «Beleza lírica e profundidade moral, que exalta os milagres quotidianos e o passado vivente», lia-se nas motivações do comité de Estocolmo, em 1995. Com efeito, tanto para Heaney como para o “colega” Patrick Kavanagh, irlandês e católico como ele, nenhum detalhe podia ser considerado banal, mas toda a realidade era fonte de uma profundidade insondável, plena de mistério. «Não que os artistas sejam profetas, mas frequentemente encontram maneiras de ver e dizer, de novo, chegam a imagens que avançam. Uma nova metáfora que seja verdadeira em relação à realidade faz avançar as coisas», afirmou.

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