É novo » 29.8.2013

Neutralizações salomónicas do humano
Sob o olhar vago e eticamente indiferente, há uma cortina de fogo aparentemente intransponível que consome em geral o humano contemporâneo. Na atual ordem internacional verificam-se, no dizer de Brueggemann, três tipos de neutralizações salomónicas: neutralização da igualdade com a economia da abundância; neutralização da política de justiça com o crescimento da política de opressão e escravização; neutralização da religião da liberdade de Deus com a religião da acessibilidade de Deus (modalidade escolhida pelo império globalizado do consumo tecnológico e multimedial). Embora as duas primeiras neutralizações sejam bastante atuais, a terceira é bem mais subtil e legitima de alguma forma as duas primeiras. Ilustra esta posição a passagem bíblica do livro dos Reis: “Disse então Salomão: “O Senhor decidiu habitar em nuvem escura// Por isso é que eu te edifiquei um palácio, um lugar onde habitarás para sempre” (1 Re 8, 12-13). Nesta construção imperial Deus torna-se acessível, demasiadamente acessível, ao ponto do humano fundar uma teocracia ilegítima de opressão.

Papa Francisco lembra conversão de Santo Agostinho e pede «inquietude» permanente a crentes e não crentes
Inspirado pela frase de Santo Agostinho «Tu nos fizeste para ti, e o nosso coração está inquieto enquanto não repousar em ti», o papa Francisco afirmou: «Queria dizer a quem se sente indiferente perante Deus, perante a fé, a quem está longe de Deus ou que o abandonou, e também a nós, com as nossas “distâncias” e os nossos “abandonos” face a Deus, talvez pequenos, mas que são tantos na vida quotidiana: olha para o profundo do teu coração, olha para o interior de ti mesmo, e pergunta-te: é um coração que deseja algo de grande, ou um coração adormecido pelas coisas?». «O teu coração conservou a inquietude da procura, ou deixou-se sufocar pelas coisas, que acabam por o atrofiar? Deus espera-te, procura-te: o que respondes?»

Para uma cultura cristã na Europa
Pede-se, sem dúvida, uma adequada pastoral da cultura nas Igrejas europeias. A elas diz respeito o dever de formar uma “mentalidade cristã” nos vários sectores da vida ordinária: no da família, da escola, do trabalho, da economia, da política, dos meios de comunicação social, etc; quer dizer, em todas as realidades de que é formada a vida comum do homem moderno, em particular do europeu. Um capítulo importante desta pastoral deve ser a promoção de um verdadeiro e sincero diálogo, de um confronto crítico com a situação cultural europeia de hoje, “avaliando as tendências salientes, os factos e as situações de maior relevância do nosso tempo à luz da centralidade de Cristo e da antropologia cristã”. E para que este diálogo e confronto atinjam o seu fim, é necessário que eles tenham sempre na devida conta, a causa da sua relevância no campo da cultura e da sociedade da Europa, das ciências e das realizações tecnológicas. No confronto com elas, a Igreja deve ter uma atitude positiva e propositiva. Não há, de facto, nenhuma oposição entre fé e razão, entre a Igreja e o mundo científico. Nem poderia haver.

O sonho de Martin Luther King continua vivo | VÍDEO |
O sonho de Martin Luther King (1929-1968) «ainda vive cinco décadas mais tarde». O arcebispo de Washington, cardeal Donald William Wuerl, recordou o famoso discurso de King, pronunciado há 50 anos (28.8.1963), acentuando o compromisso que a Igreja católica nos EUA também concretiza em favor da justiça racial e social. «A estátua majestosa de King no seu novo memorial em Washington lembra-nos o seu feito grandioso em conduzir a nossa nação a uma consciência mais plena da igualdade de todos perante Deus. O seu sonho, com profundas raízes na oração e na Sagrada Escritura, continua a desafiar-nos a ver uns aos outros como irmãos e irmãs, filhos do mesmo Deus de amor “, escreveu o prelado no “National Catholic Reporter”. Com Luther King no Memorial Lincoln», recordou o prelado, esteve o seu predecessor como arcebispo de Washington, arcebispo Patrick O’Boyle: «Pronunciou a invocação e rezou para que os ideais de liberdade, abençoados pela nossa fé e pela nossa herança de democracia, prevaleçam no país».

Se queres seguir Cristo, não abandones as coisas – abandona-te a ti próprio
Quando dizemos que as pessoas deviam fugir disto e buscar aquilo, seja estes lugares e estas pessoas, sejam estes modos ou a multidão, ou esta atividade – não é isso que tem a culpa de os modos ou as coisas te impedirem: és tu próprio (pelo contrário) que te encontras nas coisas que te impedem, pois tu relacionas-te de modo errado com as coisas. Por isso começa primeiro por ti próprio e abandona-te! Na verdade, se tu não fugires primeiro de ti próprio, seja para onde for que tu fujas, encontrarás aí obstáculos e insatisfação, seja onde for.

A Igreja em Portugal e no mundo: síntese (28.8.2013)
Luís Miguel Cintra lê “Sermão do bom ladrão”, do Padre António Vieira | Papa Francisco exorta jovens a construírem futuro de «beleza, bondade e verdade» | Jesuítas em Portugal planeiam linhas de ação para os próximos seis anos | Festas de Nossa Senhora do Castelo valorizam cante alentejano | Procissão de Nossa Senhora da Praia vai até ao mar | Concerto angaria fundos para a basílica do Sameiro | Encíclica “Lumen fidei” vendeu 200 mil exemplares num mês em Itália.

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