É novo » 8.8.2013

Cristãos podem contribuir para mudar a cultura, diz bispo de Santarém, que pede «diálogo» e «acolhimento aberto a todos»
O bispo de Santarém considera que a «experiência pessoal» e a «vivência comunitária da fé» podem ajudar os cristãos a inspirar, no atual «ambiente cultural marcado pela incredulidade», uma «forma de pensar e viver justa, verdadeira e bela». «Com a onda de ateísmo do século XX herdámos a cultura do individualismo, da superficialidade, do imediatismo. A crise de fé traduziu-se numa crise moral, social e agora também económica e financeira. Mas a realidade muda e todos nós podemos contribuir para a sua renovação», frisa D. Manuel Pelino. Na carta pastoral para 2013/14, intitulada “Cuidar da fé, cuidar do homem”, o prelado determina que uma das prioridades da diocese deve ser «cuidar da educação da fé em relação com a vida e com a cultura, guiando na experiência pessoal de fé e na integração na comunidade».

“Quem é Jesus?”: Contos breves do cardeal Carlo Maria Martini
Como começar? Como começar a falar de Jesus? Disse cá para comigo: não se pode falar de Jesus sem partir das perguntas que nós nos pomos, e que tu também te pões… O que significa para mim ser uma pessoa? Como vivo as relações com os outros? Porque devo respeitar os direitos dos outros? O que faz crescer a minha pessoa e os outros à minha volta? Como supero os conflitos entre o meu interesse pessoal e o bem de todos? O desejo de comunicar, de amar e de ser amado, que me leva a voltar-me para os outros, está plenamente realizado na família, com os amigos, ou situa-se para além das experiências humanas e orienta-me para um mistério, do qual a minha pessoa recebe a sua verdadeira dignidade?

Dominicanos: Breve história da fundação da Ordem dos Pregadores e da presença em Portugal | IMAGENS |
A Ordo Praedicatorum, vulgarmente conhecida por Ordem Dominicana (herança do nome do seu fundador), teve origem num grupo de homens orientado por Domingos de Gusmão, que se reuniu numa propriedade herdada por Pedro Seila, que integrava aquela comunidade, no ano de 1215, em Toulouse. Integrado no contexto europeu que viu florescer e prosperar a Ordem dos Pregadores desde o século XIII, Portugal receberia o primeiro dominicano em 1217, na pessoa do Fr. Soeiro Gomes, um dos 16 companheiros de S. Domingos. Seguindo o trilho do fundador, a Ordem dos Pregadores continua a ter no desenvolvimento intelectual o instrumento privilegiado da conversão. É no estudo aprofundado da doutrina que radica a evangelização e se concretiza a imagem iluminada que S. Domingos legou aos seus companheiros e descendentes espirituais. A Igreja católica assinala a 8 de agosto a memória de S. Domingos.

Igrejas ou museus?
São diversos e diversamente subtis os modos como se vai realizando o processo de secularização, que marca a nossa cultura europeia de há séculos para cá. No mau sentido do termo, esses modos diversos não passam de outras tantas maneiras de neossacralização, pois apenas pretendem substituir o «sagrado» cristão por outros «sagrados», que as modas vão construindo e propondo a multidões de adoradores. O consumo é, sem dúvida e enquanto sistema omnipotente, uma das «divindades» mais sacralizadas do nosso tempo. E, como qualquer outra sacralização, implica rituais e sacrifícios, com um culto perene e absorvente. (…) Evitemos, simbolicamente, transformar as principais igrejas de uma cidade, sobretudo as mais ricas em património cristão – e não simplesmente cultural – em meros museus, para turista ver. Caso contrário, brevemente seremos todos turistas a visitar algo estranho, de cuja herança não somos dignos – nem sequer culturalmente, quanto mais do ponto de vista da fé.

Os nove modos de rezar de S. Domingos | IMAGENS |
Antes de tudo, Domingos e os Padres Pregadores apresentavam-se como mendicantes, isto é, sem vastas propriedades de terrenos para administrar. Este elemento tornava-os mais disponíveis ao estudo e à pregação itinerante, e constituía um testemunho concreto para as pessoas. A escolha deste sistema nascia precisamente do facto que os Dominicanos, como pregadores da verdade de Deus, tinham que ser coerentes com quanto anunciavam. A verdade estudada e compartilhada na caridade com os irmãos constitui o fundamento mais profundo da alegria. Em segundo lugar, com um gesto intrépido, Domingos quis que os seus seguidores adquirissem uma formação teológica sólida e não hesitou em enviá-los às Universidades dessa época, embora não poucos eclesiásticos vissem com desconfiança estas instituições culturais. Domingos queria que os seus Padres se dedicassem a isto sem poupar esforços, com diligência e piedade; um estudo fundado na alma de todo o saber teológico, ou seja, na Sagrada Escritura, e respeitador das interrogações formuladas pela razão.

Santuário de S. Bento da Porta Aberta acolhe romaria de agosto
O santuário de S. Bento da Porta Aberta, em Rio Caldo, Terras de Bouro, acolhe de 10 a 15 de agosto a tradicional romaria, que atrai dezenas de milhares de peregrinos ao santuário mais visitado da arquidiocese de Braga. O santuário remonta a 1614, ano em que por intermédio de um visitador se construiu uma capela em honra de S. Bento, devoção devida à influência dos monges de Santa Maria de Bouro. Segundo a tradição, a capela construída em Rio Caldo tinha sempre as portas abertas, servindo de abrigo a quem passava. Daí lhe terá advindo a designação de S. Bento da Porta Aberta.

Procissões de S. Gualter e Senhor dos Navegantes reuniram milhares de pessoas em Guimarães e Caxinas | VÍDEO |
As procissões em honra de S. Gualter, em Guimarães, e do Senhor dos Navegantes, em Caxinas (Vila do Conde), reuniram a 4 e 6 de agosto, respetivamente, dezenas de milhares de pessoas. As festas Gualterianas, que se realizam desde 1906, são oficialmente os festejos oficiais da cidade de Guimarães. Para o presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde, Mário Almeida, as festividades de Caxinas espelham «a fé e a confiança no futuro de uma comunidade que, apesar de, muitas vezes, martirizada pelo mar, não perde a devoção».

Deus move-se entre os tachos
«Não haja desconsolo quando a obediência vos trouxer empregadas em coisas exteriores. Entendei que até mesmo na cozinha, entre as caçarolas, anda o Senhor…» Santa Teresa fala de pessoas que têm uma vida muito ativa, dispersa numa multiplicidade de empenhos, e que, no entanto, conseguem uma vitalidade espiritual. Há, de facto, um mal-entendido de séculos que opõe, no interior da nossa cultura, para não dizer da nossa própria consciência, a contemplação à ação. Como se a vida ativa necessariamente nos desertificasse, atirando-nos para longe de nós próprios e de Deus.

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