É novo » 14.7.2013

A desproporção de Deus: meditação do papa Francisco (cardeal Bergoglio) sobre a Eucaristia
A lembrança da multiplicação dos pães (a par das Bodas de Caná) ficou-nos no coração como o evangelho da desproporção. O que saiu das mãos de Jesus que abençoavam foi um esbanjamento de pão: os cinco pães converteram-se em cinco mil. A desproporção foi mais além de todo o cálculo humano, esse cálculo “realista”, quase matemático, que levava os discípulos a dizer com ceticismo: a não ser que vamos comprar para dar de comer a toda esta gente. Houve superabundância: todos comeram até se saciarem. E até excesso: recolheram as sobras, doze cestos. Um esbanjamento em que não se perdeu nada, tão diferente dos esbanjamentos escandalosos a que nos acostumaram alguns ricos e famosos. A desproporção de Deus é realista e realizável porque considera o calor do pão que convida a ser repartido, e não a frialdade do dinheiro que busca a solidão dos depósitos.

Vai e faz o mesmo»: comentário do patriarca de Lisboa à parábola do Bom Samaritano (evangelho do domingo 14.7.2013)
Tinham mãos os salteadores, como as têm hoje. Mas não são mãos de dar, são mãos de roubar bolsas e vidas. Roubaram-lhe tudo o que levava, que no seu caso seria material. Nos caminhos solitários que tantos percorrem hoje, os assaltos são permanentes e não roubam apenas coisas. Rouba-se a transparência dos novos, rouba-se a sabedoria dos velhos; rouba-se o ideal dos jovens, rouba-se o sustento dos adultos; roubam-se disponibilidades, sonhos e projetos… Não falo em abstrato. Refiro aspetos precisos, como a escassa educação para os valores essenciais da verdade, da bondade e da beleza; refiro a pouca prioridade que se dá à família, como célula base do organismo social, onde se possa aprender com espaço e tempo o convívio intergeracional, a complementaridade masculino – feminino, a memória das coisas e a solidariedade essencial; refiro o pouco respeito pela dignidade da pessoa humana, que não pode ser lesada pela sobrevalorização da imagem, a exorbitância da moda, a secundarização dos menos hábeis ou habilitados, ou a banalização da pornografia, do mau gosto e dos maus consumos. Falo de realidades assim, como podia juntar tantas outras, que assaltam e roubam as pessoas no que têm e no que são, sobretudo porque as apanham sós ou solitárias, mesmo que rodeadas por multidões anónimas.

Vaticano: Depois da Bienal de Veneza, aposta na cultura continua em 2014 com presença no Salão Internacional do Livro de Turim
O Vaticano continua a apostar na cultura, ao aceitar o convite para ser o hóspede de honra da edição de 2014 do Salão Internacional do Livro de Turim, em Itália, marcada para os dias 8 a 12 de maio. «É a primeira vez que a Santa Sé participa num Salão do Livro. Apresentar-se-á em Turim não só com um stand, mas com um programa delineado por uma comissão presidida pelo cardeal Gianfranco Ravasi, que trabalhará para declinar a imensa história cultural e espiritual da Igreja», realçou o presidente da iniciativa, Rolando Picchioni. «Agradeço à Santa Sé, que por meio dos cardeais Bertone e Ravasi aceitou participar nesta exposição, uma decisão sem precedentes que permitirá a todos nós descobrir e conhecer de perto a história e a riqueza cultural de um Estado geograficamente pequeno, mas de grande importância política e prestigio espiritual», assinalou.

Anúncios