É novo » 26.6.2013

Ser pobre é ser livre, disponível e cheio de compaixão
Um Pobre de Deus é um homem livre. Quem não tem nada, nem quer ter nada, não pode temer nada, porque o temor é um feixe de energias desencadeadas para a defesa das propriedades e apropriações, quando o proprietário as sente ameaçadas. Mas o que é que vai perturbar um Pobre como Jesus, que não fez outra coisa senão varrer os próprios vestígios da sua sombra, e que se dedicou a extirpar afãs de protagonismo, sonhos de grandeza, subtis apropriações? Por isso, vemos Jesus como um profeta incorruptível, como uma testemunha insubornável, absolutamente livre diante dos poderes políticos e autoridades religiosas, diante dos amigos, seguidores e familiares, diante dos resultados do seu próprio ministério, inclusive diante da lei e da religião oficial.

“Francisco”, por Pedro Mexia
Quando um homem chamado Jorge se apresentou ao mundo como “Francisco”, muitíssima gente pareceu esperançada com aquela escolha onomástica. Francisco era decerto voluntarista, impetuoso, abrupto, seguia os impulsos de cada instante, com fé e sem grandes angústias. Era um homem prático, mas não era um “pragmático”: Chesterton diz mesmo que ele não seguia o “praticável”, ou seja, o que é fácil, mas o exigente: «Era tão prático que não conseguia ser prudente.» O homem de Assis acreditava que somos todos iguais, fraternidade que é teológica e antropológica, antes de ser política. O ideal de “irmandade” que Francisco praticou nasceu de encontros com pedintes, com leprosos, com outros-eus, irmãos que ele abordava com uma igualdade não-sentimental, feita de cortesia, de simplicidade, num gesto que, tantos séculos depois, ainda nos toca.

O (ab)uso da imagem: aprender a ver com os olhos do coração | IMAGENS |
Uma exposição como a do World Press Photo exalta a força que uma imagem pode ter. Mas ao mesmo tempo, ela denuncia que algo está doente na nossa comunicação visual. Ao ver aquele retrato de 2012 fiquei com a impressão que ali me estava a ser mostrado um ano diferente daquele que quotidianamente me foi dado a ver através dos media. O modo acelerado e inquieto com que hoje os media tendem a fazer passar diante de nós as imagens deste nosso tempo em vez de gerar proximidade, parece criar indiferença. De tanto estimulados, os nossos olhos como que se defendem não levando muito a sério o que vêem. A multiplicação nervosa de imagens não é pois garantia de um olhar mais atento e sensível ao real.

Hans Urs von Balthasar: um dos maiores teólogos do século XX morreu há 25 anos
Hans Urs von Balthasar é sem dúvida um teólogo colossal do século XX, que também escreveu sobre música, literatura e filosofia. Em 26 de julho de 1936 é ordenado sacerdote. Em 1939 é enviado para Basileia, na Suiça, e no ano de 1940 conhece a mística Adrienne von Speyr, bem como Karl Barth, com o qual estabelece amizade e frequenta a casa, onde vai ouvir Mozart, pois une os dois teólogos este amor comum. Hans Urs von Balthasar, o teólogo helvético, que disse que «ser cristão até ao fundo, significa ser também ser humano até ao fundo», morre em Basileia a 26 de junho de 1988, deixando uma obra teológica colossal: a trilogia Glória (7 vols.), Teodramática (5 vols), Teológica (2 vols.), e ainda mais de 80 obras.

Hans Urs von Balthasar: Córdula, ou o momento decisivo
Que é que o cristão deve ser? Alguém que empenha a sua vida pelos irmãos, porque ele próprio deve a sua ao crucificado. Mas que pode ele, seriamente, dar aos irmãos? Não apenas coisas visíveis; a sua dádiva – o que a ele próprio foi dado – mergulha nas realidades invisíveis de Deus. «Vós morrestes e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus» (Colossenses 3,3). Se pensasse poder tornar visível e dar tudo o que ele é, o cristão ter-se-ia feito mera superfície e nada mais de profundo teria para dar. Há coisas que pode dar e mostrar; mas não se encontram no campo em que é habitual delinear a Igreja visível: culto, festas, sacramentos, ofícios sagrados. São antes sementes da vida divina que, transportadas por estes canais, deverão florescer nos cristãos.

Hans Urs von Balthasar: Só o amor é digno de fé
O amor cristão não é a palavra – nem sequer a última palavra – do mundo sobre si mesmo, mas a palavra definitiva de Deus sobre si próprio e, portanto, também sobre o mundo. Na cruz, a palavra do mundo é, antes de mais, atravessada por uma palavra de todo diferente, que o mundo de nenhum modo quer ouvir. O mundo quer viver e ressuscitar antes de morrer, o amor de Cristo, porém, quer morrer para ressuscitar além da morte, na morte, na forma de Deus. Esta ressurreição na morte não se deixa anexar, utilizar, levar a reboque, pela vida intramundana, efémera. Mas a vida do mundo, que quer viver antes de morrer, não encontra em si nenhuma esperança (excepto em construções sem esperança) de eternizar o temporal. A esta vontade de viver, peculiar ao mundo, a palavra de Deus em Jesus Cristo traz a única esperança, imprevisível, para lá de todas as possíveis construções do mundo.

Igreja evoca S. Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei
Quando está a fazer um retiro espiritual, de repente vê (é a palavra que sempre utilizará para descrever a experiência fundacional) a missão que Nosso Senhor lhe quer confiar: abrir na Igreja um novo caminho vocacional, orientado a difundir a procura da santidade e a realização do apostolado mediante a santificação do trabalho quotidiano no meio do mundo. Em 1933, promove a abertura de uma Academia universitária, porque percebe que o mundo da ciência e da cultura é um ponto nevrálgico para a evangelização de toda a sociedade.

Responsáveis da autarquia, academia, cultura e comércio do Porto “despedem-se” de D. Manuel Clemente
Os responsáveis da autarquia, academia e comércio portuenses intervêm na “Sessão de Homenagem do Porto” ao anterior bispo diocesano e atual administrador apostólico, D. Manuel Clemente, que a 6 de julho toma posse do Patriarcado de Lisboa. O programa inclui «4 Testemunhos sobre um Bispo do Porto», nos quais se inclui “Uma visão da Sociedade e da Cultura”, por Luís Braga da Cruz, presidente da Fundação de Serralves, e “A Res publica”, por Rui Rio, que dirige a Câmara Municipal do Porto.

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