É novo » 13.6.2013

Jornada Nacional da Pastoral da Cultura: inscrições abertas

Igreja deve ter «portas abertas» para quem se sente longe de Deus ou pensa que nunca vai mudar, diz papa | IMAGENS |
O papa quer que a Igreja esteja «de portas abertas, para que todos possam entrar», tornando-se assim «espaço da misericórdia e da esperança de Deus», onde «o outro» seja «acolhido, amado, perdoado» e «encorajado». «Quero dizer (…) a quem se sente longe de Deus e da Igreja, a quem é temeroso ou indiferente, a quem pensa que nunca mais poder mudar: o Senhor também te chama a fazer parte do seu povo, e fá-lo com grande respeito e amor», afirmou Francisco esta quarta-feira, no Vaticano. Cristo não pede a quem o segue para «formar um grupo exclusivo, um grupo de elite», pelo que os cristãos devem «sair» das portas da igreja para anunciar o Evangelho, sublinhou durante a audiência semanal.

Santo António lido por D. Manuel Clemente, novo patriarca de Lisboa
«Há quatro espécies de orgulho, no dizer da Glossa: quando alguém possui um bem e julga ter ele vindo de si mesmo; ou se dado por Deus, considera-o dado em razão dos seus méritos; ou jacta-se de possuir o que não possui; ou despreza os outros e procura pôr em evidência o que possui. Daqui o provérbio: Incha falsamente dos seus méritos e quer passar à frente de todos (…). Que são os outros homens, senão toda a gente, exceto ele? Como se dissesse: Só eu sou justo; os demais são pecadores.» Manuel Clemente tinha sido ordenado padre há três anos quando, em 1982, interveio no Colóquio Antoniano promovido pela Câmara Municipal de Lisboa para evocar o 750.º aniversário da morte de Santo António (1195-1231), doutor da Igreja e padroeiro secundário de Portugal. É da intervenção do historiador, intitulada “Santo António e a reforma do clero do seu tempo”, que apresentamos alguns excertos.

Fernando Pessoa nasceu há 125 anos: Da poesia que é um diagnóstico espiritual certeiro da humanidade
A essência da cultura moderna não determinou, ao contrário do que se diz, a ausência do sentimento religioso ou da metafísica, da ética ou da estética. O que define a Modernidade mais do que o vazio é o excesso. As antigas esferas subsistem, aquilo que funda a certeza ou a crença permanece. Mas sob um regime novo: o de uma radical autonomização que confere à cultura e ao homem um perfil estilhaçado. A partir de agora somos fragmentos de uma unidade perdida, dispersão incontrolável, orfandade e ficção. Como o poeta enuncia numa passagem de um dos seus poemas mais conhecidos, “Tabacaria”: «Fiz de mim o que não soube/ E o que podia fazer de mim não o fiz.»

Santo António por Agustina Bessa-Luís
A sua cultura humanista e clássica está demonstrada nos seus textos. A linguagem é estudada e a expressão, muitas vezes, além de erudita, é dramática e é poética. Temos disso um exemplo no belíssimo passo que diz: «Se a rola perder a companheira, dela carecerá sempre; caminha sozinha e vagabunda, não bebe água clara, não sobe a ramo verde. Por seu lado, a pomba é simples, tem um ninho mais áspero e pobre do que as demais aves, não fere a ninguém com o bico ou com as unhas, não vive da rapina…». «Não bebe água clara, não sobe a ramo verde.» A correção do ritmo é acompanhada pela doçura da imagem. Os jogos de palavras, os paralelismos, as antíteses, os recursos da improvisação imagística, a elegância da metáfora, a vivacidade das apóstrofes, tudo isso faz de Santo António um grande escritor medievo.

Santo António: «Gigante da fé» e modelo de evangelizador
Contemplando a figura emblemática de Santo António, descobrimos em primeiro lugar um gigante da fé, que soube pautar a sua vida, desde criança, por uma busca constante de Deus e a fidelidade ao seu chamamento. Não nos surpreende a sua ordenação sacerdotal, a procura do martírio e a consequente entrada na ordem franciscana. Tornou-se o guardião das Escrituras, pela sua erudição na Palavra de Deus e sabedoria em anunciá-la e aplicá-la. Testemunhou uma fé comprometida e atuante ao lutar pela aprovação da lei que eliminava a escravidão por dívidas, e combateu os juros extorsionários dos banqueiros, que atormentavam os pequenos. Tornou-se um pregador ungido, microfone de Deus, arauto da Palavra, que convocava para a conversão de vida, restauração dos costumes e vivência da caridade cristã.

Fernando Pessoa nasceu há 125 anos: O órfão de Deus
A poesia de Pessoa é um diagnóstico espiritual que cartografa com exactidão não só as aspirações, mas também o profundo sentimento de perda que atravessa a Modernidade. A marca da cultura moderna não reside, ao contrário do que se diz, na ausência do sentimento religioso, da ética ou da estética. O que caracteriza a Modernidade, mais do que o vazio, é um extravagante excesso, mas sob um regime novo: o da radical autonomização que confere à cultura e ao homem um perfil estilhaçado. A partir de agora flutuamos como fragmentos de uma unidade perdida e inalcançável, e como sujeitos organizamo-nos entre orfandade e ficção.

António, o mais popular de todos os santos
Santo António é um santo de projeção universal, sendo, muito provavelmente, o mais popular de todos os santos. Igrejas e capelas dedicadas a Santo António, imagens em grande parte das igrejas e nas casas particulares, azulejos e pinturas, cânticos, festas e peregrinações dão ideia da grande devoção popular a Santo António, que hoje atravessa todas as idades e todas as classes sociais, em todo o mundo. Filho de ricos comerciantes portugueses, recebeu no Batismo o nome de Fernando Martins de Bulhões. Nasceu em Lisboa, entre 1191 e 1195, cerca de 50 anos depois do nascimento da nação portuguesa. O seu ofício de pregador valeu-lhe o título de «Arca do Testamento», mas António foi também diretor de estudos e professor de teologia. Segundo algumas fontes, o próprio São Francisco o teria incumbido dessas funções. Em Bolonha fundou e dirigiu a primeira escola da Ordem Franciscana.

Fernando Pessoa nasceu há 125 anos: A relação «desassossegada» com a Bíblia
A escritora Inês Pedrosa qualificou de «desassossegada» a relação que Fernando Pessoa manteve com a Bíblia. «Tinha a noção do sagrado, como acho que os grandes artistas têm sempre», e embora «não se possa dizer que fosse católico», era todavia «um homem de fé». Para a diretora da Casa Fernando Pessoa, a evocação de Jesus que «desce do céu e vem brincar» com os humanos constitui um texto «realmente bíblico e sublime»: «Esse momento é particularmente forte e mostra bem o brilho» que a figura de Cristo tinha para o autor. O padre Tolentino Mendonça lembrou que Pessoa, através do heterónimo Álvaro de Campos, adjetivou a Bíblia de «coisa curiosa», uma forma que o poeta madeirense diz ser «muito acertada» para falar dos livros que a compõem.

A vida de Santo António, de Lisboa a Pádua | VÍDEO + IMAGENS |
Entrevista ao reitor da igreja de Santo António, Lisboa.

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