É novo » 9.5.2013

Papa Francisco: «Ninguém é dono da verdade» | IMAGENS |
O papa afirmou esta quarta-feira que «ninguém é dono da verdade» e estimulou os católicos a seguirem o exemplo da evangelização feita por S. Paulo, que foi um «construtor de pontes» e não de «muros». «A verdade não entra numa enciclopédia. A verdade é um encontro; é um encontro com a Suma Verdade: Jesus, a grande verdade. Ninguém é dono da verdade. A verdade recebe-se no encontro», disse Francisco, citado pelo portal de notícias da Santa Sé. À imagem de Cristo, «que falou com todos», o cristão que anuncia o Evangelho deve «escutar todos», tendo presente que a Igreja “não cresce com proselitismo”, mas pela «atração, pelo seu testemunho, pela sua pregação». «Os cristãos que tem medo de fazer pontes e preferem construir muros são cristãos inseguros da própria fé, não seguros de Jesus Cristo», frisou.

Da luta espiritual: combater a tentação e amar os inimigos
Hoje em dia o Cristianismo tende a rejeitar a dimensão do “combate da fé”, ao qual, porém, o ensinamento dos primeiros cristãos dava uma importância preponderante. Nós não vigiamos suficientemente sobre as atitudes que nos animam, que por vezes desfiguram a nossa vocação humana e cristã. Ora, a luta espiritual é um elemento essencial para edificar uma pessoa madura e sólida. (…) Confessaste-me a tua dificuldade em viver no quotidiano da existência aquela reconciliação e aquela fatigante procura da comunhão que constituem um dos pontos principais da vivência da nossa fé. Mas o Evangelho chama-nos a isto, e até nos pede algo mais, o amor aos inimigos. Loucura, dirás tu; lindas palavras, utopia que nunca encontrará realização. É o que assim pode parecer.

«Comunicador, quem é o teu próximo?»: reflexão do papa Francisco (cardeal Bergoglio) sobre a Igreja e os media
«Há uma beleza singular no trabalhador que regressa a casa sujo e desarranjado, mas com a alegria de ter ganho o pão dos seus filhos. Há uma beleza extraordinária na comunhão da família à mesa e o pão partilhado com generosidade, mesmo que a mesa seja muito pobre. Há beleza na esposa descomposta e quase anciã que continua a cuidar do seu marido doente para além das suas forças e da sua própria saúde. Ainda que tenha passado a primavera do enamoramento na juventude, há uma beleza extraordinária na fidelidade dos casais que se amam no outono da vida, esses velhinhos que andam de mãos dadas. (…) Descobrir, mostrar e realçar essa beleza é alicerçar uma cultura da solidariedade e da amizade social.» A Igreja Católica assinala no próximo domingo, da Ascensão, o Dia Mundial das Comunicações Sociais. Sobre o tema propomos alguns excertos da intervenção que o papa Francisco proferiu em outubro de 2002 na capital argentina, quando era cardeal e arcebispo de Buenos Aires.

Quinta-feira da Espiga: tradição e espiritualidade
As leiras cobertas das espigas do centeio, loiras como o ouro que formula auspícios de riqueza, eram promessa escondida do pão. Na vida das gentes, fazia o sustento de todos os dias e augurava bem-estar e paz. Era um alimento de que necessitavam em todas as mesas, pois «onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão». Era assim um grande dia do ano, pois ali estava o ano inteiro. A sustentação e a paz. Sustentação para a casa e paz com todos, para viver bem na vizinhança. Naturalmente era o dia feliz que garantia a prosperidade o ano todo. Estavam contentes e vestiam-se de flores, pois o próprio Senhor prometia uma presença continuada, «eu estarei convosco até ao fim dos tempos». Presença discreta, real, mas coberta pelo pão que dava a todos. Era assim o dia sagrado do pão. «O pão de Deus é que desce do Céu» e o Senhor «sobe». Percebe-se que fica com todos, já não só para alguns da sua terra, mas para todos, que se vestem de festa e agradecem a sua presença.

Católicos da América Latina são «exemplo» para europeus cansados
O presidente do Pontifício Conselho para a Cultura considera que «os católicos da América Latina são um «exemplo» para as comunidades europeias, aparentemente «cansadas do ponto de vista religioso». O cardeal Gianfranco Ravasi afirmou que os fiéis do Velho Continente estão «bloqueados pela secularização» e carecem de «grandes estímulos». Para o prelado italiano a principal qualidade do papa Francisco é a capacidade de chegar até às pessoas simples, que precisavam de uma linguagem imediata e uma presença próxima do dia a dia, bem como aos indiferentes religiosos, que também se sentem atraídos pelo pontífice. No primeiro dia da deslocação Ravasi proferiu a conferência “Fé e cultura nos nossos tempos”, tendo salientado que a arte e a crença em Deus não devem ver-se como conceitos separados.

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