É novo » 7.5.2013

Átrio dos Gentios está no México
O Átrio dos Gentios, iniciativa que promove o diálogo entre católicos, ateus e agnósticos, está desde 6 de maio no México, naquela que é a uma das suas primeiras manifestações fora da Europa. Até dia 9 o presidente do Pontifício Conselho, o cardeal italiano Gianfranco Ravasi, intervém na iniciativa intitulada “Transcendência e Laicidade no México”, país marcado por graves conflitos sociais, nomeadamente o narcotráfico e o crime organizado. Esta terça-feira prelado recebe o doutoramento “Honoris Causa” em Humanidades pela universidade UPAEP, de Puebla, que em 2013 assinala 40 anos. De acordo com ojornal italiano “Corriere della Sera”, o Átrio dos Gentios regressa no outono com passagem por Varsóvia, Praga e Berlim.

Arte: do local ao global, da espiritualidade ao lucro
«A arte não se destina já nem à simbolização e propiciação da divindade, nem à fruição e representação dos príncipes e elites, nem aos âmbitos em que era criada só por ela ou para ela. Hoje aplica-se instrumentalmente a tudo, num quadro geral de investimento e lucro.» Tendo sido a arte absorvida pelo mercado e visando este a escala mundial, acabou por se destacar da cultura, que tradicionalmente se prende a lugares, etnias e cultos: «a arte de consumo de massas é mesmo arte, ainda que não seja cultura, porque esta implica sempre uma determinada tradição comunitária […]: único no seu género, o capitalismo artista criou uma arte de consumo de massas que não requer nenhuma cultura específica». A mesma marca, esteticamente promovida, dirige-se a qualquer população dos cinco continentes e com o idêntico objetivo de suscitar a apetência e promover a venda. . Uma terra, um museu, um templo, todos ganharão densidade de oferta se tiverem mediadores que a traduzam, situem e adensem. Há meios técnicos que ajudam, mas nada substituirá o intérprete, que comunique a sua própria fruição.

Igreja tem défice de reflexão
Com crua evidência vai-se hoje tornando mais claro como as insuficiências do presente têm, com frequência, as suas causas em insuficiências do nosso passado. O que não semeámos ontem não podemos colher hoje. O que não semearmos hoje não poderemos colher amanhã. O ativismo é também um défice de pensamento, um défice de densidade intelectual. Fazer sem parar para refletir no que se faz, como se faz, para que se faz, para quem se faz tende a criar um deserto e um desgaste em tudo semelhantes àqueles criados pela ação desacompanhada da oração. E mesmo quando essa oração até está presente, se a ação ainda assim não procura pensar-se a si própria normalmente sobra-lhe em fervor espiritual o que lhe falta em discernimento e sabedoria. Em tempos de crises, será precisamente de discernimento e sabedoria que mais andaremos necessitados. Sabedoria que, não por acaso, é na Sagrada Escritura um dos nomes de Deus.

Papa pede exame de consciência diário
O papa sublinhou esta segunda-feira a importância do «exame de consciência» individual ao fim do dia, para que os crentes possam tomar consciência da presença de Deus no quotidiano. «Tenhamos o hábito de nos perguntar, antes que acabe o dia: “O que fez hoje o Espírito Santo em mim? Que testemunho me deu? Como me falou? O que me sugeriu”», observou. Para Francisco uma existência cristã sem a presença do Espírito Santo poderia ser «religiosa» e crente em Deus mas não teria a «vitalidade» que ele deseja para os seus discípulos. Mais tarde, dirigindo-se aos novos recrutas da Guarda Suíça, corpo policial de honra e uma das entidades responsáveis pela segurança do papa, Francisco lembrou a importância do primeiro dos sete sacramentos: «A fé que Deus vos deu no dia do Batismo é o vosso tesouro mais precioso».

Católicos correm o risco de repetir tradições e esquecer responsabilidade da fé
O arcebispo de Braga considera que os católicos correm o risco de «passar o tempo repetindo tradições ou simples devoções», sem arriscar «acolher a responsabilidade pessoal» de tornar a fé «mais consciente». A intervenção de D. Jorge Ortiga, dedicada à família, foi proferida esta sexta-feira, no encerramento da Procissão das Cruzes que ocorreu em Barcelos. No sábado o prelado declarou que não é possível «esperar ou exigir que sejam os bispos ou os padres a falar», na denúncia da pobreza, especialmente passados 50 anos do Concílio Vaticano II (1962-1965). «Saí das vossas sedes e dos trajectos habituais de ir ao encontro dos mesmos necessitados mais do que conhecidos e encontrai-vos com outros pobres das novas periferias, como fala o Papa Francisco, mas também de amigos, colegas, conhecidos, desconhecidos e chamai para esta caminhada com os mais abandonados da sociedade», pediu. Para D. Jorge Ortiga as paróquias precisam de «criar uma nova cultura de solidariedade e caridade verdadeiramente cristã», colocando no «coração» dos crentes «a alegria do dom e a lógica da gratuidade».

Contemplação e ação ontem e hoje
Há cada vez mais pessoas que não estão satisfeitas com o mundo em que vivemos. Raras são, porém, aquelas que fazem alguma coisa para o transformar. Destas, umas procuram torná-lo melhor por meio do seu esforço, individual ou coletivo; outras acham que os defeitos do mundo não estão no próprio mundo, mas no olhar de quem nele vive; por isso procuram transformar-se a si próprias e mudar o olhar com que o veem. As primeiras são partidárias da ação; as segundas confiam nos efeitos da contemplação.

Pontifício Conselho para a Cultura assinala tricentenário do nascimento de Rosseau
O Pontifício Conselho para a Cultura assinala esta terça-feira, 7 de maio, o tricentenário do nascimento do pensador e compositor Jean-Jacques Rosseau (1712-1778) com um encontro na cidade italiana de Bolonha. Segundo o jornal italiano “Corriere della Sera”, os intervenientes evocarão as raízes cristãs do pensador iluminista que antecipou os temas do Romantismo, ao mesmo tempo que se vão debruçar sobre os seus escritos, incluindo novas perspetivas reveladas por investigações recentes. «Onde está o verdadeiro eu? (…) Jean-Jacques (…) convida-nos a colocar a pergunta no mais profundo de nós mesmos e, para os crentes, diante de Deus», assinala o antigo presidente do Pontifício Conselho da Cultura.

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