É novo » 29.4.2013

Uma sociedade de trabalhadores sem trabalho
Os modos da existência contemplativa foram despojados da sua áurea (e, em grande medida, dos seus direitos de cidadania) e só a vida ativa é considerada legítima. O resultado foi a transformação efetiva de todo o agregado humano numa sociedade de trabalhadores. Deixou de haver lugar para itinerários de natureza espiritual, artística ou política, dos quais pudessem brotar a evidência de dimensões humanas que a atividade laboral não cobre. Mesmo mantendo um trabalho, muitos veem-se obrigados a defendê-lo a todo o custo, com uma sensação repetida de frustração, irracionalidade e solidão. Os problemas dos limites colocam-se cada vez mais. Acentua-se o fosso entre o que é possível e o que é pedido, numa aceleração permanente contra o tempo. A implacabilidade do sistema de trabalho cada vez menos respeita e acolhe a fragilidade da vida. Os trabalhadores têm de ser perfeitos e neutros como as máquinas que os rodeiam.

Vida do papa Francisco vai dar um filme
Era inevitável, tendo em conta o carisma e a história do personagem: o percurso do papa Francisco vai brevemente passar ao grande ecrã, revela este domingo o site “Vatican Insider”. O responsável por levar aos cinemas a figura de Jorge Mario Bergoglio é o produtor e realizador Christian Peschken, de 57 anos, que segundo a página do National Catholic Register obteve um financiamento de 25 milhões de dólares por parte de investidores europeus. Peschken, recentemente convertido ao catolicismo, nasceu na Alemanha mas vive e trabalha em Hollywood. De acordo com as mesmas fontes, o título do filme será “O amigo dos pobres: a história do papa Francisco”.

“Não”: sim à democracia | IMAGENS |
Chile, 1988. Pressionado pela comunidade internacional, e com vista à obtenção do seu apoio, o governo ditatorial de Augusto Pinochet realiza um referendo nacional cujo resultado avaliará a disposição da população face à sua continuidade na liderança dos destinos do país. A maior agência publicitária chilena é contratada para realizar a campanha pelo ‘Sim’. Nela trabalha Renée Saavedra, publicitário em forte ascensão profissional, filho de um histórico opositor do regime e ex-marido de uma ativista da oposição. O realizador, Pablo Larraín, expõe de forma muito sensível e clara um momento de viragem num Chile economicamente sufocado, sem ceder à tentação de um manifesto político. Viragem que contempla, também, a passagem de um conceito e género de propaganda política basilar a tantos regimes (sobretudo nacionalistas) para o advento da publicidade tal como a conhecemos até há bem pouco tempo, o que é um dos pontos mais interessantes a refletir neste “Não”.

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