É novo » 11.4.2013

Os jovens pressentem que a vida tem mais do que aquilo que lhes disseram para buscar
As culturas juvenis colocam à Igreja um desafio de fidelidade ao amor de que é portadora. Uma relação viva com Jesus faz da Igreja uma comunidade ao mesmo tempo radicalmente inclusiva e radicalmente exigente. Neste caminho, aligeirar Jesus para o ajustar mais facilmente aos modos do mundo, é a grande tentação. É o baratear da graça a que a Dietrich Bonhoeffer chama o inimigo mais mortal da Igreja. Conhecer Jesus transforma a nossa vida a partir de dentro. Viver não é relatável. Viver não é visível (Clarice Lispector). É fruto de um silêncio e de uma escuta que precisam de ser cultivados insistentemente.

Cristianismo e Europa: «É necessário lutar contra o esquecimento em relação às próprias raízes»
O Cristianismo, com a sua celebração da pessoa e da dignidade humana, com a contemplação (ora) e o empenho social (labora) do monaquismo, com a reflexão da Idade Média e com a cultura gloriosa do Humanismo e do Renascimento, constituía – como já foi dito – o «grande código» conceptual da Europa, a partir, naturalmente, da base bíblica. O próprio Nietzsche, nos trabalhos preparatórios para a sua obra Aurora, reconheceria que, «para nós, Abraão é mais do que qualquer outra pessoa da história grega ou alemã. Entre aquilo que sentimos ao ler os Salmos e aquilo que experimentamos ao ler Píndaro e Petrarca, há a mesma diferença existente entre a pátria e a terra estrangeira». A Europa de César e a Europa de Deus, ou seja, imanência e transcendência, política e religião, economia e cultura, devem entretecer-se, sem se lesarem mutuamente. A esta luz, o Cristianismo é a raiz do nosso «sentimento religioso, que é o próprio sentimento moral, no seu sentido mais elevado», como afirmava Francesco De Sanctis, espírito «laico» do século XIX.

Manuel Alegre e a “Pacem in Terris”: evocação nos 50 anos da encíclica do papa João XXIII | VÍDEO |
«Não sei se estou no átrio mas também não me sinto um gentio». Manuel Alegre centrou a sua intervenção na leitura da encíclica “Pacem in terris”, do papa João XXIII, que há 50 anos «assinalou o contraste entre “a perfeita ordem universal” e a desordem que reina entre indivíduos e povos», «contraste» que hoje «ameaça de novo a paz e a justiça». «Há outra dimensão da vida e o Mundo precisa de valores espirituais, da busca de um outro sentido, de um pouco mais de sonho e de um pouco mais de poesia. Talvez por isso alguém disse que esta é de novo a hora dos pensadores, dos filósofos e dos poetas. Eu diria que esta é também a hora de reler e reencontrar as palavras de alegria e esperança do Papa João XXIII.» Veja e leia a intervenção.

Cardeal Jorge Bergoglio, papa Francisco: «Porque buscais entre os mortos Aquele que está vivo?»: Uma pergunta de dois mil anos que chega até hoje
Precisamos que esta frase nos seja gritada cada vez que, presos em qualquer forma de egoísmo, pretendemos saciar-nos com a água estagnada da autosatisfação. Precisamos que ela nos seja gritada quando, seduzidos pelo poder terreno que se nos oferece claudicando os valores humanos e cristãos, nos embriagamos com o vinho da idolatria de nós mesmos que só pode prometer-nos um futuro sepulcral. Precisamos que alguém nos grite essa frase nos momentos em que colocamos a nossa esperança nas vanidades mundanas, no dinheiro, na fama, e nos vestimos com o fátuo resplendor do orgulho.

Nativos digitais: linguagens e rituais
A imagem que hoje tem mais impacto é a do homem que se sente perdido se o seu telemóvel não tem rede ou se o seu equipamento tecnológico (computador, tablet ou smartphone) não pode aceder a nenhuma forma de conexão de rede sem fios. Se antes o radar estava à procura de um sinal, hoje somos nós a procurar um canal de acesso através do qual os dados possam passar. Hoje o homem, mais do que procurar sinais, procura estar sempre pronto para a possibilidade de os receber, sem no entanto procurá-los necessariamente.

Átrio dos Gentios vai ao México na primeira viagem fora da Europa
O Pontifício Conselho para a Cultura anunciou novas etapas do Átrio dos Gentios, iniciativa que promove o diálogo entre católicos, ateus e agnósticos. A grande novidade é a realização do evento, pela primeira vez, fora da Europa. O país escolhido foi o México. De 6 a 9 de maio, o presidente do Pontifício Conselho, o cardeal italiano Gianfranco Ravasi, intervém em dois colóquios sobre o tema “Laicidade e transcendência”, com a participação de conhecidos docentes universitários locais. No dia 6 de maio em Monterrey, dia 7 em Puebla e dia 8 em Cidade do México, o cardeal Ravasi aprofundará os temas da “Pastoral da cultura” e da “Emergência educativa” numa sociedade marcada por graves conflitos sociais, sendo o principal o drama do narcotráfico.

— Agenda para hoje —

Pontifício Conselho para a Cultura organiza segunda conferência internacional sobre células estaminais adultas
O Pontifício Conselho da Cultura organiza entre 11 e 13 de abril a segunda conferência internacional no Vaticano sobre células adultas estaminais, dedicada ao tema da “Medicina Regenerativa”. O encontro vai contar com a participação de ministros da saúde, embaixadores na Santa Sé, responsáveis de entidades reguladoras, cientistas, líderes religiosos, empresários e especialistas em ética e cultura de vários pontos do globo. A medicina regenerativa procura encontrar novas maneiras de potenciar «a capacidade do corpo para se curar a si próprio», ao mesmo tempo que tenta «inverter o curso da doença atingindo a sua causa e reparando tecidos ou órgãos», explica o presidente da Fundação The Stem for Life. O padre Tomasz Trafny, diretor do Departamento Ciência e Fé, considera que os desenvolvimentos na medicina regenerativa são de «grande interesse» porque causam «profundas transformações culturais em diferentes níveis, dos cuidados de saúde à economia, das novas tecnologias às questões legais».

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