É novo » 26.2.2013

Humildade: a encíclica de Bento XVI na hora da despedida
Bento XVI não publicará a encíclica sobre a fé – embora em fase avançada – que devia apresentar na primavera. Já não tem tempo. E nenhum sucessor é obrigado a retomar uma encíclica incompleta do próprio predecessor. Mas existe outra encíclica de Bento XVI, escondida no seu coração, uma encíclica não escrita. Ou melhor, escrita não pela sua pena mas pelo gesto do seu pontificado. Esta encíclica não é um texto, mas uma realidade: a humildade.

Gonçalo M. Tavares e Emília Nadal conversam sobre “o transcendente presente” em iniciativa da diocese de Aveiro
A diocese de Aveiro convidou o escritor Gonçalo M. Tavares e a pintora Emília Nadal para um debate sobre “O Transcendente Presente”, marcado para este sábado, 2 de março, às 21h00. A iniciativa enquadra-se na exposição de arte sacra “Presente e Memória” patente no Museu de Aveiro até 7 de abril para assinalar os 75 anos da restauração da diocese, que se completam em 2013. Para o bispo de Aveiro, D. António Francisco dos Santos, «o diálogo entre a Igreja e a Sociedade passa necessariamente pelos caminhos abertos da Cultura, em que a Igreja soube tantas vezes ser pioneira».

Multiculturalidade, Daniel Faria, economia e sacralidade laica na revista Brotéria
No artigo “O multiculturalismo faliu?” Rui Marques sublinha que «o debate europeu sobre diversidade e identidade nacional está atualmente marcado por importantes tensões». Mário Garcia, da Companhia de Jesus, propõe-se mostrar, «em toda a sua amplitude, a explicação do verso de Daniel Faria “O meu projeto de morrer é o meu ofício”. Em “Os bancos centrais e os políticos” o jornalista Francisco Sarsfield Cabral, recorda que os responsáveis daquelas instituições entraram na área política, «o que vira do avesso o debate sobre a sua independência». «O movimento da Ideia Republicana que revolucionariamente se constitui em regime novo em outubro de 1910 transportava consigo um desígnio de transformação profunda das mentalidades por via da pedagogia, da cultura e da alteração das práticas simbólico-sociais», assinalam Fernanda Santos e José Eduardo Franco.

Quaresma, terça-feira da semana II: literatura
Com violetas na boca e falando das andorinhas que fazem ninho nos currais para comerem os mosquitos que voam em torna das vacas, chegámos a uma igrejinha guardada por dois irmãos e uma irmã. Abriram-nos a porta e vimos que o pavimento estava coberto de velas, pequenas e grandes, pegadas ao chão com gotas de cera. As velas estavam todas com as pontas apagadas viradas para o altar, em devoção, porque lá em cima há um quadro redondo com dois vidros tendo à mostra um fio de palha.

Sentido cristão da caridade
Sobre o sentido cristão da caridade, palavra de todos os dias mas particularmente presente na Quaresma e nesta Semana Nacional da Cáritas: «É precisamente pelo nosso desejo que podemos aprender a fazer bem ao outro. Revela-o Jesus ao dizer-nos que façamos aos outros aquilo que gostaríamos que nos fizessem a nós. E o nosso desejo é ser amados, vistos, alcançados e tocados na nossa necessidade, na nossa pobreza, em suma, na nossa unicidade. Eis a paradoxal realização do desejo cristão: Exprimiu-a bem Antão, pai dos monges: «Quem faz bem ao próximo, faz bem a si mesmo» e, portanto, prossegue Antão, «quem aprende a amar-se a si mesmo, ama a todos».

Bento XVI soube entrar, estar e sair
O presidente do Conselho Pontifício da Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi – aí está, na minha opinião, um bom sucessor de Bento XVI – diz que a renúncia do Papa é um “ato teológico”. É, de fato, um sinal de grandeza e não uma fuga às responsabilidades. Traduz bem a etimologia da palavra “ministério”. Vem de “minus”, a significar “estar ao serviço de”, “ser menos”, “não ser dominador”. Assim se compreende que Bento XVI, como sublinha o cardeal Ravasi, tenha saído para deixar mais espaço a quem consiga realizar a missão de sucessor de Pedro de maneira mais plena. Bento XVI não é um desistente. Sai pela porta grande e com a dignidade dos homens de caráter. Deus queira que o novo Papa seja pedra fundamental de uma Igreja capaz de dialogar com o mundo como Jesus Cristo: com autoridade moral e com o testemunho do amor.

Contemplar a beleza na era da tecnologia
A estrada da beleza atravessa por inteiro a história da humanidade. Uma simples descrição fenomenológica mostraria claramente que, além do desejo de comunicar a sua experiência de vida, os desenhos que se encontram nas cavernas dos nossos ancestrais mostram um homem que procura contemplar a obra das suas mãos. Por paradoxal que possa parecer, enquanto procuramos o entendimento das esculturas antigas, e com elas da civilização que as produziu, hoje, para os nascidos nas duas últimas décadas que constituem a geração digital, a contemplação parece deter-se na beleza do iPad, do iPod, do último modelo de telemóvel ou computador.

Surpresa, dúvida, sonho e angústia são tudo “Notas de Amor” | VÍDEO + IMAGENS |
Num registo combinado de drama e fantasia, “Notas de Amor” é novamente uma prova da sensibilidade de Sarah Polley como realizadora, sobretudo na exploração de ambientes que transforma em quase atores desta história de interrogação, descoberta e inquietude. Muito justamente assumido pela atriz Michelle Williams, com um dom natural para a representação tão versatilmente comprovado (de “O Segredo de Brokeback Mountain” a “A Minha Semana com Marilyn”, passando por “O Atalho” e “Blue Valentine – Só Tu e Eu”), é nos diversos ambientes da casa, da rua, do café ou da praia que a transformação da sua personagem joga. Um olhar peculiar que não se propõe oferecer respostas ou soluções, que não assume uma postura sobre a relação conjugal ou afetiva, mas se “limita” a percorrer um caminho desconhecido, de que a surpresa, a dúvida, o sonho e a angústia são parte.

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