É novo » 19.2.2013

Quaresma, terça-feira da semana I: literatura
Foi assim que criei raízes, escolhi um lugar, o ocupei e comecei a povoá-lo de objetos e presenças. Primeiro de alguém a quem amar, depois do que este ser desejasse, em seguida dos adereços: uma cama, uma cadeira, um quadro, um filho. Mas tratou-se apenas do princípio, pois todos começamos por ser recolectores, tornamo-nos colecionadores e acabamos como mais um elo da cadeia infinita de consumidores. De modo que, estando já velhos e gastos para o desfrute, vemo-nos circunscritos pelas coisas.

Diretor da Faculdade de Teologia elogia ação de Bento XVI na conciliação entre fé e razão e na abertura à arte e cultura
«Devemos a este papa um magistério muito bonito que procurou centrar-se na conciliação entre a fé e a razão, mostrando ao mesmo tempo que pode haver uma vivência da fé com uma forte expressão e dimensão cultural», sublinhou o padre João Lourenço em declarações ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura. «O papa deu igualmente um grande impulso de qualidade e de abrangência àquilo que é a abertura da fé e da Igreja ao mundo da arte, da beleza e da cultura. Penso que esta é uma gratidão que todos lhe devemos», observou. «A marca que eu gostaria que o próximo papa desse ao seu magistério no domínio da cultura é que dê continuidade à herança de abertura que Bento XVI realizou», mantendo a sua «qualidade de reflexão e pensamento.»

Luís Miguel Cintra explica razões para encenação de “O Estado do Bosque”, de José Tolentino Mendonça
O certo é que muitos, nos quais estou incluído, cortaram com, pelo menos, a prática religiosa, sem terem no entanto ousado dizer: eu não sou católico. E muitos pais deixaram de mandar os filhos à catequese ou até de os batizar. Mas em anos mais recentes participei de boa vontade como padrinho de um dos meus sobrinhos, o Nuno, num batizado coletivo dos netos de João Bénard da Costa, um dos conhecidos “católicos progressistas”, realizado por iniciativa sua. E, mesmo afastado da Igreja, aceitei ser padrinho da filha de uma atriz amiga, a Maria, filha da Luísa Cruz. Tomo-me como exemplo de uma geração, por enquanto ainda quase toda viva, que de outra maneira que não a católica, meditou também sobre as razões de ser da vida, que quis escolher como vivia, sim, só que em quase todos os casos não conseguiu e como grupo também não, mas que, seja como for, não foi hoje que começou a pensar.

Bento XVI meditou nos Salmos 19, 23 e 119
Bento XVI e responsáveis da Cúria Romana entraram esta segunda-feira no segundo dia do retiro da Quaresma, que o presidente do Pontifício Conselho da Cultura, orientador dos exercícios espirituais, dedicou aos salmos 19, 23 e 119. Palavra reveladora de Deus e palavra criadora: foi sobre estas duas diretrizes que se articulou a primeira intervenção do cardeal Gianfranco Ravasi. No domingo, ao início do retiro, o prelado propôs a imagem bíblica da narrativa do capítulo 17 do livro do Êxodo para representar o futuro de Bento XVI na Igreja, «uma presença contemplativa, como a de Moisés sobre o monte a rezar pelo povo de Israel que, no vale, combate contra Amalec». Conheça os traços principais das meditações propostas e junte-se ao papa na leitura e reflexão de dois dos salmos hoje rezados.

Renúncia de Bento XVI: É «curioso» como «uma instituição em alegado declínio» merece as atenções do mundo
O fundador e diretor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, João Carlos Espada, destaca esta segunda-feira o «súbito contraste entre o impacto mundial» da resignação de Bento XVI e o «repetido anúncio do declínio da Igreja de Roma». «Não deixa de ser curioso que uma instituição em alegado declínio possa ter merecido as atenções de, literalmente, todo o planeta», sublinha o investigador em artigo de opinião publicado no jornal “Público”. Por seu lado José Pacheco Pereira refletiu na revista “Sábado” sobre a diferença das opções tomadas pelos papas Bento XVI e João Paulo II quanto ao fim do pontificado, referindo que «ambos, fizeram, com as suas atitudes, bem à instituição à frente de que estão».

Pontifício Conselho da Cultura assinala tricentenário do nascimento de Rosseau
O Pontifício Conselho da Cultura vai assinalar o tricentenário do nascimento do pensador e compositor Jean-Jacques Rosseau. O Átrio dos Gentios, plataforma da Igreja Católica para o diálogo entre crentes e não crentes, realiza a 13 e 14 de março dois encontros dedicados ao tema “A visão de Cristo em Rosseau”. “Émile, ou Da Educação” e “Do Contrato Social” são algumas das obras de Rosseau consideradas essenciais para o desenvolvimento do pensamento político, sociológico e educacional após a Revolução Francesa (1789-1799) mas que no ano da sua publicação, 1762, foram interditas em França e noutros estados.

Anúncios