É novo » 17.2.2013

Quaresma, I Domingo: Patrística
Há realmente um jejum não corporal e uma temperança não material: a abstinência do mal pela alma convertida. Foi justamente em vista desta que nos foi prescrita a abstinência de alimentos. Por isso jejuai do mal; sede fortes contra os desejos incompatíveis; repeli o ganho ilícito; matai de fome a avareza dos dinheiro; nada haja em tua casa fruto de violência ou de roubo. Que te adianta se não dás carne ao corpo, mas mordes o irmão pela maledicência? Ou que vantagem se não cornes do que é teu, e tomas injustamente aquilo que é do pobre? Que piedade é esta que só bebe água, mas trama enganos e tem sede de sangue pela perversidade? Sem dúvida alguma Judas jejuou com os onze; mas por não ter antes dominado a avareza, de nada lho serviu a abstinência para a salvação.

Eduardo Lourenço: Bento XVI restituiu «o sentido e o esplendor da única eternidade que conta aos olhos de um cristão»
O ensaísta português Eduardo Lourenço considera que a resignação do «mais suave dos papas», Bento XVI, «não dilacera a túnica sem costura do Cristo (há tantos séculos dilacerada)». «Restitui-lhe [à túnica] o sentido e o esplendor da única eternidade que conta aos olhos de um cristão. E que não é a do ouro e seu peso de sangue, nem da glória e sua ilusão, mas a da consciência do seu nada no espelho do tempo mortal do nosso coração», sublinha em artigo publicado esta sexta-feira no jornal “Público”. O gesto da resignação, anunciada segunda-feira e com efeitos a partir de 28 de fevereiro às 19h00 de Lisboa, «já é raro pelos tempos que correm», refere Eduardo Lourenço, acrescentando que constitui a maneira de Bento XVI «recusar a objetividade demoníaca do que é só porque é»

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