É novo » 15.2.2013

«Segredo» de Bento XVI para ser escutado fora da Igreja foi ter sabido dialogar e recorrer à razão sem se fechar nela, diz presidente da Comissão Episcopal da Cultura
O presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, D. Pio Alves, considera que o conhecimento teológico, a racionalidade e a predisposição para o diálogo contribuíram para que Bento XVI fosse ouvido fora dos círculos católicos. Em declarações ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura o bispo auxiliar do Porto afirmou que as «notas dominantes» das principais intervenções magisteriais do papa residiram no «amor, na verdade e na esperança», que surgem nos títulos das suas três encíclicas, bem como na «beleza» e na centralidade de Jesus Cristo.

Quaresma, Sexta-feira depois das Cinzas: espiritualidade
A conversão é sempre uma coisa que leva tempo. O homem precisa de tempo, e Deus também quer precisar de tempo connosco. Partiríamos de uma imagem de homem absolutamente errada se pensássemos que as coisas importantes da vida humana podem realizar-se imediatamente e de uma vez para sempre. O homem está feito de tal maneira que precisa de tempo para crescer, amadurecer e pôr em ação todas as suas capacidades. Deus sabe-o melhor do que nós. E, por isso, espera, não desiste. É indulgente, longânime. Espera-nos como um pescador paciente, como escrevia um poeta. «A bondade de Deus convida-te à conversão», escreve Paulo. Não a ira, mas antes o seu afeto, bondade, paciência. Não é senão mais tarde, após a morte, que vamos poder viver fora do tempo e para sempre. Hoje, o tempo é-nos dado para conhecer a Deus cada vez melhor. É sempre tempo de conversão e de graça, dom da sua misericórdia.

Bento XVI e João Paulo II: decisões diferentes, a mesma fidelidade
O interessante, no meio de todo este acontecimento, é que os cristãos não se sentem defraudados. Mesmo aqueles que defenderam que João Paulo II devia permanecer na Cadeira de Pedro até morrer, sentem hoje uma paz grande – depois da perplexidade própria da surpresa – ao lerem o discurso de renúncia de Bento XVI. Porquê? É que a motivação que levou o Papa Wojtyla a manter-se até morrer e que conduz o Papa Ratzinger a resignar é uma e a mesma motivação. São tão-só dois modos antagónicos de viverem e exprimirem o amor inquestionável à Igreja e ao mundo. Para um, o testemunho de ficar até ao fim era, então, essencial para mostrar como “da cruz não se abdica”; para o outro, a necessidade que o mundo atual tem de uma Igreja que possa responder às “rápidas mudanças e às questões de grande relevância para a vida da fé”, requer um Papa cujo vigor Bento XVI sente escapar-lhe.

A maldade das «boas pessoas»
Se toda a gente achar que nós somos «muito boas pessoas», decididamente algo deve estar mal na nossa vida. Provavelmente, se isso acontece, é porque o nosso comportamento se apresenta mais moldado aos preconceitos que nos rodeiam, do que propriamente aos mandamentos que Jesus nos deu. Se formos cristãos a sério, somos sempre um pouco escandalosos. Façamos, pois, da nossa vida um escândalo. Mas atenção: um escândalo de bondade, um escândalo de amor, um escândalo de fé. Não estou a pensar em escândalos vanguardistas, ou de vestuário: esses constituem um modo de tudo continuar na mesma de uma maneira diferente. Eu refiro-me, sim, àqueles comportamentos estranhos que levam os outros a pensarem que nós somos «parvos».

Bento XVI abriu «novas perspetivas à relação do discurso católico com a modernidade», diz Francisco Assis
Francisco Assis, antigo líder parlamentar do Partido Socialista, considera que Bento XVI «apostou na importância do diálogo entre a razão e a fé, abrindo assim novas perspetivas à relação do discurso católico com a modernidade». «As nossas sociedades são felizmente suficientemente laicas e seculares para poderem acolher sem qualquer risco o contributo não despiciendo do mundo católico», sublinha em artigo publicado esta quinta-feira no jornal “Público”. O ex-deputado europeu mostra-se convicto que Bento XVI, «homem profundamente culto», está consciente dos «desvarios a que um excesso de otimismo racionalista conduziu a humanidade no decurso do século XX».

Economista João Duque e escritora Helena Sacadura Cabral falam sobre fé e dúvida
O diretor do Instituto Superior de Economia e Gestão, João Duque, e a escritora Helena Sacadura Cabral encontram-se esta sexta-feira, 15 de fevereiro no encontro “A Fé convive com a Dúvida”. João Duque esteve este ano na Capela do Rato, em Lisboa, para falar sobre as dificuldades relativas à vivência das suas convicções cristãs, numa sessão que contou com a participação da reitora da Universidade Católica Portuguesa, Maria da Glória Garcia, e da jornalista Paula Moura Pinheiro.

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