É novo » 5.2.2013

“O Estado do Bosque” é uma «peça poética», afirma Luís Miguel Cintra | VÍDEO |
Luís Miguel Cintra, encenador e codiretor do Teatro da Cornucópia, considera que “O Estado do Bosque”, de José Tolentino Mendonça, que estreia esta quinta-feira, «é, assumidamente uma peça poética». «Por vezes é mais fácil chegar às pessoas dessa maneira do que optar por uma agressividade ou com uma solidão que chega a aterrorizar», declarou em entrevista ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura. O texto narra a história de um grupo de pessoas que pretende atravessar o bosque, guiado por um cego que tem tantas dúvidas como os viajantes que conduz. O vídeo da conversa com o protagonista do texto inclui imagens da peça.

Pré-publicação: “Paciência com Deus” (2)
Há apenas uma forma de conquistarmos esse apaixonado ateísmo de protesto: abraçando-o. Abracemo-lo com a paixão da nossa fé e abençoemo-lo: façamos da sua experiência existencial parte da nossa própria experiência. Só poderemos obter a bênção da maturidade se a nossa fé tomar a sério a experiência humana da tragédia e da dor, e se suportar essa experiência sem a banalizar com consolações religiosas fáceis. A fé madura é a permanência paciente na noite do mistério.

Dois retratos de Paul Cézanne | IMAGENS |
Os garotos da rua conheciam-no bem. Iam atrás dele, atiravam-lhe pedras. Cézanne afastava-se tão depressa quanto lho permitiam as velhas pernas. Mas o seu itinerário, que era quase sempre o mesmo, desde a casa da cidade até à casa de campo, desde a casa de campo até ao estúdio, desde o estúdio até à casa da cidade, defendia-o. Só ao domingo se desviava do caminho habitual para ir sentar­se, durante a missa ou durante as vésperas, no banco dos assíduos da catedral loura com uma nave que se enche de folhas de loureiro, laranjeira e carvalho sempre que são abertas as portadas da Sarça Ardente, ali penduradas há cinco séculos por Nicolas Froment de Avinhão, o pintor do rei Renato. Nesse dia da semana havia à porta da igreja duas alas de pobres criaturas que lhe conheciam os bolsos sempre cheios com moedas de maior e menor valor.

Conferências sobre “Fé e Cidadania” debatem dignidade humana, diálogo e afetividade
O Instituto da Formação Cristã do Patriarcado de Lisboa inicia a 14 de fevereiro um conjunto de conferências sobre “Fé e Cidadania”, partindo da constituição “Gaudium et spes”, documento do Concílio Vaticano II (1962-1965) sobre a relação da Igreja com o mundo. Na primeira sessão, intitulada “Fé e dignidade humana”, Guilherme d’Oliveira Martins, Sofia Reimão e Alfredo Bruto da Costa refletem sobre a tolerância e a promoção dos direitos humanos.

Projeto editorial reúne toda a obra do Padre António Viera em 30 volumes
O projeto da edição da Obra Completa e do Dicionário Padre António Vieira (1608-1697), «um dos mais ambiciosos projetos editoriais da literatura portuguesa de sempre» que «vai reunir toda a obra do autor» em 30 volumes, é apresentado quarta-feira em Lisboa. «Pelo seu valor cultural inestimável, a edição conta com o empenho particular do Provedor [da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa], Pedro Santana Lopes, e do Reitor da Universidade de Lisboa, António Nóvoa».

O preço de um poema
«É triste constatar que um poeta consegue fazer mais tostões escrevendo ou falando da sua arte, do que a praticá­-la.» O lamento tem décadas e vem assinado por W.H. Auden, mas serve completamente para hoje. Se aceitássemos sem mais que o valor intrínseco de um bem é aquele determinado pelo seu potencial económico, a poesia já há muito teria desaparecido, Mas na situação atual, onde as questões da produção artística e cultural são mais ou menos remetidas para um limbo, não se pode garantir que a extinção não seja uma efetiva ameaça. Sabemos que uma carcaça anda à volta dos vinte cêntimos, que um litro de leite anda à roda dos sessenta e por aí fora. São números que muito justamente nos preocupam, enquanto indicadores das linhas de sobrevivência. Mas quanto custa um poema?

Anúncios