É novo » 4.2.2013

Igreja «não tem nada a perder» com «debates intelectuais», diz arcebispo de Braga
O arcebispo de Braga considera que a Igreja deve perder o medo de discutir publicamente as suas perspetivas para evitar que a crença continue a perder relevância nas grandes opções da sociedade. «A pouca incidência da fé nos problemas deve-se, creio eu, ao receio de debates intelectuais com a alteridade. Afinal, não temos nada a perder, tal como comprova o sucesso do evento Átrio dos Gentios», afirmou D. Jorge Ortiga este domingo, durante a missa em que foi celebrado o Dia Nacional da Universidade Católica Portuguesa. Na homilia em que fez referência ao pintor alemão Albrecht Dürer e ao filme “A Vida de Pi”, recentemente estreado em Portugal, o prelado sugeriu a inclusão de «uma unidade curricular comum em todos os cursos [da Universidade Católica], onde se reflita a problemática humana e religiosa, de modo a percepcionar a diferença cristã em benefício da verdade do próprio Homem».

“O Tempo e o Modo”: uma revista diferente
Basta folhearmos os números, para percebermos os sinais proféticos desconcertantes (perante a “desordem estabelecida”) e o anúncio de um caminho aberto, europeu, assente na democracia. António Alçada Baptista, no primeiro texto que assinou, usa, aliás, um eufemismo, que hoje quase nos faz sorrir: Em vez da referência às instituições democráticas, para iludir os censores, recorria à misteriosa expressão “instituições que pressupõem uma certa dialética”. Os fundadores da nova revista pertenciam a uma geração não-conformista vinda dos movimentos católicos, desde o I Congresso da JUC (Juventude Universitária Católica) até ao jornal «Encontro», que rompera com o regime. As gerações conservadoras que vinham de antes da guerra mantinham os velhos temas e uma lógica de protecionismo, mas havia que romper fronteiras e abrir o caminho para a Europa e para novas instituições.

S. João de Brito: entre sofrimentos e perseguições para levar o Evangelho ao Oriente
«Não é fácil imaginar hoje o que era o dia a dia de João de Brito; visitando o país tamil podemos ver as mesmas gentes e a mesma paisagem, assim como muitos dos monumentos que ele observou; deslocando-nos pela região podemos sentir a omnipresença do Hinduísmo, tal como João certamente a sentia; notamos também a continuação da lenta infiltração muçulmana, iniciada precisamente no final do século XVII. Mas o país modificou-se: os meios de comunicação desenvolveram-se e o estado de guerra permanente desapareceu; o Cristianismo levado pelos missionários não superou a religião local, mas a tolerância promoveu novos hábitos e novos tipos de convivência. Torna-se, pois, quase impossível recriar todo o antagonismo que rodeou a atividade evangelizadora de João.» A Igreja Católica assinala a 4 de fevereiro a memória do missionário mártir nascido em Portugal.

Ruy Belo, «extraordinário dissidente lírico», é tema de capa da revista “Ler”
A revista “Ler” dedica o tema de capa da edição de fevereiro a Ruy Belo (1933-1978), que para Gastão Cruz «é um daqueles poetas em que é mais evidente a completa coincidência entre o exercício da poesia e os gestos do quotidiano, reveladores de que a sua atenção ao mundo de cada dia está sempre dirigida para um objetivo central e maior: a criação de uma obra que saiba ler a realidade para lá das suas aparências, mesmo que sejam estas a substância primária da poesia». Eduardo Prado Coelho escrevia que Ruy Belo traçou «um caminho poético que é, certamente, um dos mais originais e importantes de toda a literatura portuguesa». E José Tolentino Mendonça, diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, começa por lembrar que a sua dissertação de licenciatura em Teologia, corria o ano de 1989. teve por tema “A saudade de Deus na obra poética de Ruy Belo”.

Presidente do Centro Nacional de Cultura evoca 50 anos da fundação da revista “O Tempo e o Modo” | IMAGENS |
O presidente do Centro Nacional de Cultura considera que a revista “O Tempo e o Modo”, fundada há 50 anos por um grupo de católicos, foi um «marco fundamental na renovação do debate de ideias no início dos anos sessenta» em Portugal. Em texto enviado ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, Guilherme d’Oliveira Martins lembra o primeiro número da publicação, publicado a 29 de janeiro de 1963, e o debate fulcral em torno da abertura da revista a autores não católicos. Não é possível «compreender o que se passou até 1974 [revolução que instaurou a democracia], e depois, sem conhecer o que a geração que lançou a revista foi capaz de pensar e de agir», sublinha.

«Vou mostrar-vos um caminho que ultrapassa todos os outros»
Os quinze comportamentos que S. Paulo enumera, longe de serem utopias, são as realidades extraordinárias que a experiência nos faz descobrir. Realmente, e sabemo-lo bem, o amor, e só o amor, permite a quem ama, àqueles que se amam, atingir a plenitude da paciência, do esquecimento de si, da doçura, da transparência, da confiança total e da alegria profunda. Inversamente, podemos ler neste texto um bom catálogo de critérios para julgar os nossos comportamentos individuais e coletivos. Num tempo onde as palavras e os gestos de amor se multiplicaram, essa grelha de discernimento não é supérflua.

«Pouca boca, pouca cama e muito sapato» para um Portugal saudável
Seremos saudáveis dentro dum quadro de relacionamentos que prioritariamente o sejam, E, sendo verdade que perturbações ecológicas ou desfuncionamentos coletivos em grande escala nos afetam a todos, não é menos verdade que temos de atuar também nos âmbitos em que diretamente nos inserimos. Permiti que acrescente uma referência de memória, mas inegavelmente sugestiva. Foi há anos já, num apontamento de telejornal. Entre a catadupa de notícias de alinhamento discutível, fixou-se-me a resposta rápida duma anciã entrevistada. Com mais de cem anos, mantinha a robustez e a boa disposição, num corpo aparentemente frágil. Tanto que merecera a atenção dos media, que aliás não a distraíam e muito menos a atrapalhavam. E, perguntada pelo segredo de se conservar assim, retorquiu de rajada: «Muito simples: pouca boca, pouca cama e muito sapato!».

Bento XVI e presidente da República de Itália assistem a concerto evocativo dos Pactos de Latrão | VÍDEOS |
O papa Bento XVI e o presidente da República de Itália, Giorgio Napolitano, assistem nesta segunda-feira ao concerto evocativo do 84.º aniversário da assinatura dos Pactos de Latrão, protocolo que, entre outras disposições, criou o Estado da Cidade do Vaticano. O programa prevê a execução da abertura de “A força do destino”, do compositor Giuseppe Verdi, de quem se assinala o bicentenário do nascimento em 2013, e a “Terceira Sinfonia ‘Heróica'”, de Ludwig van Beetohoven.

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