É novo » 20.1.2013

Luís Miguel Cintra diz que ciclo “O Nome de Deus” é «quase um manifesto» contra «momento de trevas» na Cornucópia e nas artes em Portugal
O cofundador e diretor do Teatro da Cornucópia, Luís Miguel Cintra, considera que o ciclo “O Nome de Deus”, que começou este sábado, «é quase um manifesto» perante o «momento particularmente grave na evolução do trabalho da companhia». «A recente desvalorização explícita da utilidade pública do teatro e das artes em geral como consequência da declarada crise financeira, este momento de trevas em que não sabemos se teremos condições para continuar, vem precipitar uma indispensável reflexão sobre o nosso ofício que passa para nós pela reafirmação de uma evidência: a natureza política do nosso trabalho», lê-se na folha de sala correspondente à leitura de Gennariello, do italiano Pier Paolo Pasolini (1922-1975). «A procura por tanta gente de um regresso a valores de natureza religiosa que me parece notar-se e até, de certa maneira, estar a ser aproveitado (porquê?) pela Igreja Católica, creio inserir-se também nessa procura de uma nova maneira de viver. E até de combater», sublinha o encenador.

Museu de Aveiro inaugura exposição de arte sacra alusiva aos 75 anos da restauração da diocese | VÍDEO |
É inaugurada este domingo no Museu de Aveiro a exposição de arte sacra evocativa dos 75 anos da restauração da diocese, que se assinalam em 2013. Com esta iniciativa a Igreja local pretende «dinamizar o diálogo com o mundo e a sociedade em que está inserida», e ao mesmo tempo sensibilizar as comunidades cristãs «para o valor do património de que são possuidoras», bem como para a «correta conservação e preservação» desse «valioso património», resultante da «fé e culto cristão», sublinha o site diocesano. Até ao fim da exposição “Diocese de Aveiro – Presente e Memória”, marcado para 7 de abril, «destacam-se dois momentos culturais de grande alcance»: “O transcendente presente” na “Palavra”, a 1 de fevereiro, e na “pintura”, no dia 2 de março.

Caná e Betânia: quando pouco é muito e o inútil se transforma em essencial
O milagre do vinho em Cana, na sua rica simbologia, revela um Deus atento ao gratuito, que alinha com o vinho, com algo que não é vital como o pão, não necessário exceto à festa e à qualidade da vida. Este Deus não é o vértice explicativo do cosmo, a resposta a todas as nossas perguntas, mas é a profundidade que revela à sua volta outras profundidades, incremento da vida, crescimento de humano, estímulo para a criatividade, amor para a dádiva gratuita que engendra alegria. Sem dúvida, Deus é igualmente resposta, legislador, vértice da pirâmide da existência. Tudo isto é importante, mas esquecemos que Deus é também gratuito – como o perfume de Betânia, como o vinho de Caná -, sob o signo da festa, do banquete, da amizade, do inútil e amado perfume, e que as coisas gratuitas – como o amor, a amizade, a beleza – são também as mais necessárias para bem viver.

— Agenda para HOJE —

Crentes e não-crente debatem «desafios do tempo presente»
O padre Constantino Gonçalves Alves, ao serviço da diocese de Setúbal, José Ernesto Cartaxo, presidente do Instituto Bento de Jesus Caraça, e o pastor evangélico António Costa Barata debatem no próximo domingo os «desafios do tempo presente». O sacerdote, pertencente ao Instituto Religioso dos Filhos da Caridade, é atualmente responsável pela paróquia do Bairro da Bela Vista, em Setúbal. José Ernesto Cartaxo, apresentando no cartaz do encontro como «não crente», passou pelo Conselho Nacional e Comissão Executiva da central sindical CGTP-IN e presidiu à Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira.

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