É novo » 9.1.2013

Diálogo entre Igreja e Sociedade passa pelos «umbrais da arte», diz bispo de Aveiro
«O diálogo entre a Igreja e a Sociedade passa, mais vezes do que imaginamos, pelos umbrais da arte e aí se abrem as portas da fé, porque a arte e a cultura transportam em si um ministério profético», considera o bispo de Aveiro. A declaração de D. António Francisco dos Santos, integra o texto de apresentação da exposição “Diocese de Aveiro – Presente e Memória”, que vai ser inaugurada a 20 de janeiro. «Procuremos ver com os olhos do coração e da fé, como quem reza, atraído pelo encanto do transcendente ou inspirado pelo fascínio da santidade e admiremos a arte e a beleza, como quem eleva um hino ao talento humano das gerações que nos precederam».

«Foi Deus quem fez aquilo!» | IMAGENS |
A Anunciação a Maria é uma obra teatral do escritor francês Paul Claudel (1868 – 1955), traduzida para português por Sophia de Mello Breyner Andresen. Claudel, génio do pensamento e da interioridade, convertido ao catolicismo, narra, nesta pequena preciosidade literária, os dilemas existenciais da vida. Ele mesmo a classifica como a “representação de todas as paixões humanas ligadas num plano católico”. É a presença do mistério na vitalidade das histórias humanas. “Que vale o mundo em frente da vida? E de que nos vale a vida se não for para nos servirmos dela e para dar?” (in A Anunciação a Maria). Uma obra que diz muito com um pequeno punhado de palavras que abrem o desejo humano à escuta de um anúncio. Uma revelação que se dá segunda uma dissonância cognitiva e afetiva. Ou se quisermos sob a forma do paradoxo, do imprevisível, da surpresa!

Jornadas de Teologia refletem sobre contributo das artes para a «vida eterna» e discutem ótica crente e não-crente
O último dia da Semana de Estudos inicia-se às 9h30 com o painel “Novas formas de dizer ‘Vida Eterna'” na literatura (José Cândido Martins), música (Paulo Antunes) e Sétima Arte (Inês Gil, membro do Grupo de Cinema do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura). O programa das jornadas, dedicado ao tema “Creio na Vida Eterna”, prevê para dia 21, às 21h00, a mesa redonda “Variações sobre a vida e a morte”, na qual intervêm Pedro Lind, investigador do Centro de Física Teórica e Computacional da Universidade de Lisboa (“A morte mata a vida – diz o ateu”) e João Duque, diretor adjunto da Faculdade de Teologia (“A vida mata a morte – diz o cristão”).

João Duque: entre a finança e as convicções cristãs | VÍDEO |
Excertos do testemunho de João Duque, presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão, na Capela do Rato, em Lisboa. «Eu sou professor que ensina a génese do mal. O homem prefere ter mais do que menos, mas isto choca com os modelos de despojamento de materialidade, que são os princípios que me ensinaram para passar pelo buraco da agulha. Passo o tempo a ensinar as pessoas a fazerem exatamente o contrário do que eu devia ensinar. Toda a gente devia aspirar a proporcionar a transferência da riqueza para os outros, e não procurá-la para si. Vejo-me constantemente a infringir aquilo que acredito ser a palavra da salvação. É uma luta que me desfaz. Por isso procuro arranjar maneiras de reconciliar-me.»

Em 2013 vamos redescobrir os valores, as relações pessoais e a poesia
Num mundo de tangíveis, que agora nos escasseiam com a fluidez a que estávamos habituados, e de direitos esforçadamente adquiridos, que agora nos falham e nos empobrecem, o que emerge de mais nítido para o futuro próximo é repararmos e cuidarmos do intangível. Os intangíveis, como os bens relacionais, culturais e de memória histórica, a evolução pessoal, a construção de vidas com sentido, ganham uma força há muito esquecida, cada vez mais envolta numa urgente necessidade de repensar os valores – porque a corrupção e a especulação, desenfreadas e absurdas, em busca de riqueza material, nos mostraram a maior pobreza humana: a da ética relacional. Passaremos lenta, mas determinadamente – de um tempo de austeridade para um de honestidade e integridade; de uma época de impunidade, para uma de respeito reverente pelo outro e as suas circunstâncias; de uma metáfora relacional e institucional de verticalidade e árvore, para uma de rizoma – igualdade de poderes, justiça na partilha de recursos e bens, espaço para ouvir vozes tradicionalmente silenciadas, relações com sentido, verdadeiro interesse pelo bem comum.

Poesia de João Paulo II inspira espetáculo de teatro e multimédia
Operário, ator e jovem padre, Karol Wojtyla (1920-2005) confiava aos seus versos a experiência e os sentimentos vividos nos anos difíceis da Polónia primeiramente ocupada pelos alemães e depois caída nas malhas da União Soviética. Em cada poesia pressentia-se o desejo da liberdade e de infinito. O espetáculo, com música, imagem, dança e monólogos, propõe «os versos poéticos de Karol Wojtyla, escritos desde a sua juventude e que antecipam os pontos fundamentais do seu magistério como papa: a pessoa humana, a morte, o sofrimento, o amor».

O Natal dos cristãos ortodoxos | IMAGENS |
Grande parte das Igrejas cristãs ortodoxas celebram o Natal a 7 de janeiro por seguirem o Calendário Juliano, criado por Júlio César em cerca do ano 45 a.C. A maior parte dos países adotou o Calendário Gregoriano, estabelecido pelo papa Gregório XIII em 1582, que substituiu o Juliano. Entre ambos há uma diferença de 13 dias.

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