É novo » 6.1.2013

“A estrela”: Sophia de Mello Breyner
Eu caminhei na noite/ E entre o silêncio e frio/ Só uma estrela secreta me guiava.// Grandes perigos na noite me apareceram:/ Da minha estrela julguei que eu a julgara/ Verdadeira sendo ela só reflexo/ Duma cidade a néon enfeitada.// A minha solidão me pareceu coroa./ Sinal de perfeição em minha fronte./ Mas vi quando no vento me humilhava/ Que a coroa que eu levava era dum ferro/ Tão pesado, que toda me dobrava.// Do frio das montanhas eu pensei:/ “Minha pureza me cerca e me rodeia”./ Porém meu pensamento apodreceu/ E a pureza as coisas cintilava/ E eu vi que a limpidez não era eu.

“Os Reis Magos”, por Gomes Leal
Cheios de assombro, à janela,/ mudos ficam os seus lábios!/ De pé olhando uma estrela,/ velam noites os reis sábios.// Não querem mais alimento,/ nem com rainhas dormir./ Não tomam ao trono assento!/ Não mais volvem a sorrir!// (…) Passam o quente areal,/ que a palmeira não conforta./ Eis que a estrela pára à porta/ de um decrépito curral.// Descem dos seus dromedários,/ cheios de pó, os reis sábios./ Descarregam seus erários./ – Mas estão mudos seus lábios.

Teatro da Cornucópia estreia peça de José Tolentino Mendonça
O Teatro da Cornucópia, em Lisboa, estreia a 7 de fevereiro a peça “O Estado do Bosque”, de José Tolentino Mendonça, diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura. «Há um bosque. Há um cego que é o único que pode guiar os outros na travessia do bosque: John Wolf. Há o destino que pensava vencer o cego. Há um homem de meia idade e um homem mais novo que acabam por atravessar o bosque com o cego. Há uma rapariga que fica de fora: Vivianne Mars. John Wolf reza outra versão da “oração que Deus nos ensinou”. A poesia passa a ser teatro e o teatro poesia. Na floresta das metáforas», refere o texto de apresentação. A estreia é antecedida do ciclo de programação “O Nome de Deus”.

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