É novo » 8.12.2012

Ave, generosa, gloriosa e intacta virgem.// Tu cândido lírio, / que Deus mais que qualquer criatura/ contemplou | VÍDEO |
De Santa Hildegarda von Bingen.

Maria e Portugal: uma devoção nacional?
A devoção mariana é um facto relevante na piedade pessoal de muitos portugueses. Mas não é a esse título que a vou sublinhar aqui, antes a título coletivo, como devoção nacional que também parece ser. Efetivamente, as grandes horas portuguesas foram várias vezes horas marianas, porque a Maria se referiram, pela intercessão ou no louvor. E se os povos se simbolizam nas realidades que afirmam com mais constância e calor, então o povo português aparece-nos frequentemente como um povo mariano. Creio que isto continua a ser assim para uma parte muito expressiva da nossa comunidade nacional.

«Vós que destes claro a tanto escuro»: persistência da Imaculada no texto poético
A maior pertinência de se escolher a poesia para sondar o modo como a figura de Maria e da sua Imaculada Conceição atravessam a cultura portuguesa, está nessa espécie de conaturalidade entre representado e expressão que representa. A própria poesia vive de uma tensão de transcendência que conduz as palavras, ou melhor a realidade, a um processo de transfiguração: o tempo aí inaugurado acende-se «cintilante, como nácar ou neve», torna-se «instante milagroso, como se todas as dissonâncias se resolvessem harmoniosamente em silêncio». A permanência, desde os primeiros cancioneiros medievais até à última modernidade, de fundamentais categorias semânticas como claridade, pureza, vida intacta, ação da Graça permitem-nos perceber como, para lá de uma persistência explícita da figura da Imaculada, há, inerente à própria poesia, uma abertura, um rasgo fundo para essa formulação do Mistério. E o facto de, muitos séculos antes da definição dogmática, já o sentido crente referir ousadamente na criação poética esse dado de fé, constitui uma silenciosa forma de confirmação.

A Imaculada Conceição e a História de Portugal | IMAGENS |
O dia 8 de dezembro transcende o “Dia Santo” dos Católicos e engloba indubitavelmente a comemoração da Independência de Portugal, que o dia 1 de dezembro retoma. O feriado do dia 8 de dezembro é religioso, mas é também celebrativo da cultura, da tradição e da espiritualidade da alma e da identidade do povo português. Não menos importante, e em âmbito religioso e litúrgico, o tema da Imaculada Conceição da Virgem Maria é já abundantemente abordado pelos Padres da Igreja. Será o Oriente cristão o primeiro a celebrá-la. Festividade que chega à Europa Ocidental e ao continente europeu pelas mãos das cruzadas Inglesas nos séc. XI e XII.

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