É novo » 3.12.2012 (2.ª edição)

Hoje é dia de S. Francisco Xavier
Em 1549, os primeiros missionários da recém-criada Companhia de Jesus chegaram ao Japão. Os três jesuítas, Francisco Xavier (1506-1552), Cosme de Torres (c.1510-1570) e Juan Fernández (1526-1567) tinham viajado directamente do porto de Malaca para o Império do Sol Nascente a bordo do junco do pirata chinês Awan. A 15 de Agosto, dia da festa de Nossa Senhora da Assunção, a embarcação atracou no porto de Kagoshima, na província de Satsuma, no Sul de Kyūshū, a mais meridional das grandes ilhas do arquipélago nipónico. Depois de chegarem ao Japão e de conhecerem a realidade local, os missionários aperceberam-se das imperfeições e lacunas do modelo missionário vigente, conhecido por tábua rasa, e, depois de repensarem as suas técnicas de evangelização, substituíram o modelo referido pelo método da acomodação cultural. A aculturação implicou, logo nos inícios da missão, a admissão e formação de clero nativo.

S. Francisco Xavier evocado por Jordi Savall
Os 47 anos de vida Francisco de Xavier decorrem num momento histórico crucial para a civilização ocidental e, especialmente, para o cristianismo. Um meio século marcado por acontecimentos transformadores e decisivos: a consolidação do Renascimento, o auge do Humanismo, a Reforma e a Contra-Reforma, com a consequente fundação da Companhia de Jesus. Um período que vê aparecer obras literárias e filosóficas originais e profundamente críticas face ao funcionamento e aos responsáveis das instituições políticas e religiosas do tempo, como o “Elogio da Loucura”, de Erasmo, dedicado ao seu amigo Tomás Moro, que, por sua vez, publicou a “Utopia”, um texto extraordinário sobre a concepção do mundo ideal, sem esquecer as noventa e cinco teses de Martinho Lutero, nem o “Princípe”, de Maquiavel. Ao mesmo tempo, durante a sua viagem para o Oriente, Francisco de Xavier entra em contacto com todas as principais crenças do mundo oriental: islão, budismo, hinduísmo, confuncionismo e cristianismo nestoriano. Quisemos, portanto, deixar um testemunho da maioria destes textos e credos que marcam este meio século extraordinário com uma selecção e apresentação realizadas pelo investigador e poeta Manuel Forcano.

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